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A imprensa venezuelana continua a enfrentar situações de censura na Internet, segundo dados divulgados quinta-feira e que dão conta que 43 meios de comunicação nacionais e internacionais apresentaram bloqueios de acesso a partir da Venezuela.
Gaby Oraa
Os dados foram divulgados pelo Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) e o Observatório Venezuela Sem Filtro em ocasião do Dia Mundial Contra a Censura na Internet com o propósito de fomentar uma avaliação do estado da liberdade de expressão no ambiente digital.
Segundo aquelas organizações as restrições contra portais de notícias e páginas de informação pública são executadas através dos principais fornecedores de serviços de telecomunicações do país, como a estatal Cantv e as privadas Movistar, Digitel, Inter e NetUno.
“As empresas aplicaram técnicas de filtragem através do bloqueio de sistemas de nomes de domínio (DNS) ou limitações aos protocolos HTTP e HTTPS, o que impediu o carregamento dos sites afetados”, explicam em um comunicado de imprensa.
Por outro lado, explicam ainda que a aplicação destas medidas técnicas responde a instruções emitida pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel).
“Os organismos que fazem a monitorização [dos bloqueios] têm manifestado preocupação com a falta de transparência nos procedimentos, uma vez que as restrições têm sido aplicadas sem decisões judiciais públicas nem informações oficiais sobre o seu fundamento normativo”, sublinham.
Segundo o Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) e o Observatório Venezuela Sem Filtro, o controlo sobre a infraestrutura de telecomunicações “tornou-se um fator com impacto direto sobre o acesso dos cidadãos a conteúdos jornalísticos independentes”.
“De acordo com o registo das ONG, as restrições ao ecossistema dos meios de comunicação tradicionais foram progressivamente transferidas para a rede nos últimos anos”, concluem.
