O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro admitiu esta terça-feira manter contactos diretos com o homólogo russo, Serguei Lavrov, antes e depois de reuniões do Conselho Europeu, o que considerou parte do trabalho diplomático.
Virginia Mayo
“Coordeno antes e depois das reuniões dos ministros dos Negócios Estrangeiros sobre as decisões tomadas ou a serem tomadas com pessoas importantes para os interesses húngaros”, afirmou Peter Szijjarto durante um comício eleitoral, disse o portal de notícias Telex, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Quando questionado se Lavrov está entre essas pessoas, o ministro admitiu que sim, já que “a Rússia é um parceiro importante para a Hungria, por exemplo, para o fornecimento de energia”.
“Não sei o que há de estranho nisto. Esta é a essência da diplomacia”, acrescentou o ministro, uma das faces mais visíveis no Governo do primeiro-ministro ultranacionalista, Viktor Orbán.
No sábado, o jornal norte-americano The Washington Post tinha noticiado contactos frequentes entre Szijjarto e Lavrov durante pausas nas reuniões do Conselho Europeu, onde normalmente se discutem as medidas da União Europeia (UE) contra a Rússia pela invasão da Ucrânia.
O ministro húngaro, que desde o início da guerra na Ucrânia se reuniu uma dúzia de vezes com Lavrov, acrescentou que também fala frequentemente com norte-americanos, turcos, israelitas, sérvios e outros, “se uma questão que afeta as relações, como as relações húngaro-americanas, for discutida nas reuniões da UE”.
A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, irá abordar o assunto com o ministro húngaro, revelou hoje a porta-voz da diplomacia europeia, Anitta Hipper, sem adiantar mais detalhes.
A responsável europeia, acrescentou a porta-voz, “espera que o dever legal de cooperação sincera seja respeitado em todos os momentos” e que todos os Estados-membros apoiem a UE na prossecução deste objetivo, evitando “qualquer ação que possa comprometer este propósito”.
