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Missão Celeste: nova constelação de satélites da ESA vai complementar GPS e Galileo


Ciência

A Agência Espacial Europeia (ESA) vai lançar esta quarta-feira os primeiros dois satélites de uma missão que inclui tecnologia portuguesa e que vai testar uma nova forma de fornecer serviços de navegação através de satélites em órbitas mais baixas.

Ilustração do Celeste IOD-1 a separar-se do foguetão Electron da Rocket Lab.

Ilustração do Celeste IOD-1 a separar-se do foguetão Electron da Rocket Lab.

ESA

A missão Celeste é constituída por uma constelação de 10 satélites em órbitas baixas (500 km) para complementar sistemas como GPS e Galileo. O projeto envolve duas empresas portuguesas e visa garantir a autonomia europeia em infraestruturas críticas de navegação.

Esta quarta-feira, 25 de março, vão ser lançados os dois primeiros satélites a bordo do foguetão Electron da Rocket Lab, a partir do Complexo de Lançamento de Māhia, na Nova Zelândia.

  • Assista em direto, a partir das 8h53, hora de Lisboa, ao lançamento do foguetão, previsto para as 9h14, com uma janela de lançamento de aproximadamente uma hora, na ESA WebTV ou ESA YouTube.

Os dois primeiros de 10 satélites

Tiago Roque Peres, responsável por programas de telecomunicações e navegação por satélite da agência espacial portuguesa Portugal Space, explicou à Lusa que a primeira fase da missão envolve o lançamento de 10 satélites, sendo que estes dois primeiros são mais pequenos do que os oito restantes, a lançar posteriormente.

“Temos habitualmente constelações [conjuntos de satélites] como o GPS e o Galileo, que fornecem serviços de posição, navegação e tempo, em órbitas médias, a cerca de 24.000 quilómetros de altitude, e com esta constelação a ideia é fornecer serviços em complemento a estes, em órbitas mais baixas, com altitudes a rondarem os 500 quilómetros”.

Duas empresas portuguesas estão envolvidas no projeto.

“O trabalho que estão a fazer é importante para este sistema, mas não será, pelo menos nesta fase, embarcado no satélite”, especificou.

A “importância estratégica” da missão Celeste

O projeto, referiu a empresa em comunicado, testa uma nova geração de satélites para “reforçar sistemas europeus”, como o Galileo, garantindo que a Europa mantém “acesso autónomo” a serviços essenciais de posicionamento, navegação e sincronização de tempo, “mesmo em cenários de crise ou conflito”.

Tiago Roque Peres referiu que a empresa está a trabalhar nos recetores e elementos associados, o que vai permitir testar os sinais emitidos pelos satélites.

“Isto é um elemento muito importante de toda a cadeia que é um sistema destes, mas esta tecnologia fica aqui, na Terra”, disse.

Outra empresa portuguesa está a trabalhar em produtos que fazem parte dos sistemas de controlo terrestre, sem os quais os satélites não podem funcionar.

O novo sistema complementa o GPS e o Galileo

Com o novo sistema (LEO PNT), pretende-se acrescentar resiliência ao sistema europeu Galileo, considerado uma referência no posicionamento por satélite.

“Ao termos mais satélites em órbitas diferentes, que estão a transmitir também sinais que são diferentes, em frequências diferentes, significa que existe uma maior diversidade de sinais e o facto de os satélites estarem mais próximos da Terra, significa também que os sinais são potencialmente mais fortes”, adiantou Tiago Roque Peres.

“Os recetores que explorem os sinais emitidos pelo LEO PNT, em complemento aos sinais emitidos pelo Galileo e pelo GPS – porque estes sistemas trabalham todos em sinergia entre eles – serão recetores mais resilientes em contextos em que temos algum ator mal-intencionado que está a poluir o espetro do Galileo”, afirmou.

Um sistema como o LEO PNT permite ao recetor continuar a ter dados de posicionamento.

“O que estes sistemas fazem é dar ao recetor a localização dele na Terra. Quando entramos no carro e ligamos o Waze ou o Google Maps para ver qual é o caminho para o destino, o que o telemóvel vai fazer, em primeiro lugar, é pedir ao recetor que está dentro do telefone qual é a posição”, exemplificou o engenheiro aeroespacial.

O aparelho recebe, para o efeito, sinais emitidos por satélites e é com base nessa informação que vai calcular o percurso e atualizar a posição do condutor ao longo do percurso.

Num cenário em que os outros sistemas estejam a sofrer interferências, sejam causadas com intenção ou motivadas por danos nos equipamentos, este novo programa vem criar redundância e reforçar um sistema do qual a sociedade está hoje muito dependente e que é considerado uma infraestrutura crítica.



SIC Noticias

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