As ofensas foram denunciadas pelo Grupo de Ação Conjunta Contra o Racismo e a Xenofobia que monitoriza parte dos comentários que se fazem nas redes sociais.
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Um momento de enorme glória para os atletas ficou também marcado pela crueldade dos internautas. Um dia depois de terem conquistado mais medalhas para Portugal nos Campeonatos do Mundo de atletismo, na Polónia, Agate de Sousa, Gerson Baldé e Isaac Nader foram alvo de vários comentários discriminatórios nas redes sociais.
A denúncia partiu do Grupo de Ação Conjunta Contra o Racismo e a Xenofobia, que monitoriza parte dos comentários que se fazem nas redes sociais.
“De há uns tempos para cá, e não estamos a falar de casos únicos, temos reparado que, sempre que há um atleta que se evidencia ou uma equipa tenha atletas racializados, existe sistematicamente um ataque às suas características físicas”, afirma José Rui Rosário.
Atletas conquistaram medalhas no Mundial
Agate de Sousa nasceu em São Tomé e Príncipe, mas chegou a Portugal ainda jovem. Em 2024, recebeu a nacionalidade portuguesa. É uma das figuras de proa do atletismo nacional.
Esta semana, sagrou-se campeã do mundo no salto em comprimento, bem como Gerson Baldé, também ele português, natural de Albufeira.
Tornou-se no primeiro português a conquistar o título mundial masculino no salto em comprimento indoor, marcando um momento histórico para o atletismo nacional.
E Isaac Nader, também ele algarvio, foi prata nos 1500 metros nos Mundiais na Polónia, meses depois de conseguir o ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Grupo quer maior combate â discriminação
Juntos, contribuíram para a melhor campanha de sempre de Portugal num Campeonato do Mundo de atletismo em pista coberta, mas foi a cor da pele que deu que falar.
“Estamos a falar de um crime e cada um de nós é responsável por denunciar estes crimes. Sabemos que o sistema também não está a proteger os atingidos. No ano passado, por exemplo, de 311 denúncias que foram feitas por comentários de racismo, só houve uma condenação”, acrescenta José Rui Rosário.
O Grupo de Ação Conjunta lançou uma campanha de sensibilização e uma petição pública para que se altere o Código Penal. Consideram que o combate à discriminação e aos crimes de origem étnico-racial é insuficiente. A petição já conta com mais de 26 mil assinaturas, o suficiente para que seja debatida no Parlamento.
