Esta é a primeira vez que a PSP admite que a 12.ª Esquadra, responsável pelo atendimento à população local, já não se encontra nas instalações da Praça de Pedro Nunes, em Cedofeita, contrariando informações que havia dado à Lusa na passada semana, quando garantiu não estar previsto o encerramento.
Questionada hoje novamente pela Lusa, a PSP esclareceu que a distribuição de agentes por outras subunidades que integram a 1ª Divisão ocorre “meramente por questões logísticas” e que continua a ser “operacionalizado o policiamento da área da Esquadra de Cedofeita”.
Esta força de segurança admite, contudo, que o atendimento que está a ser feito nesta esquadra é “vocacionado para o turismo”, mas ressalva que “o atendimento presencial para qualquer cidadão para questões urgentes é sempre assegurado tendo em atenção as normais prioridades consoante a gravidade das situações”.
“Informamos ainda que a PSP encontra-se a avaliar soluções que visem a reinstalação efetiva da 12.ª Esquadra”, respondeu hoje à Lusa a fonte do Comando Metropolitano,
Até agora funcionavam naquele espaço dois serviços da PSP: a 12.ª Esquadra, que fazia atendimento à população, e a esquadra de turismo, habilitada para contactos em língua estrangeira.
Na quinta-feira, apesar de o Comando Metropolitano o negar, no edifício estava unicamente aberta uma sala onde funciona a esquadra de turismo, constatou no local a Lusa e junto dos agentes de serviço, que especificaram que as pessoas que se estavam a dirigir a estas instalações para reportar algum furto estavam a ser encaminhadas para outras esquadras da PSP, sendo apenas atendidas as pessoas que não falam português.
A PSP explicou que as instalações da esquadra de Cedofeita passaram a funcionar também como sede de divisão, uma vez que o imóvel onde esta funcionava anteriormente, no Edifício Rainha Santa Isabel, na freguesia do Bonfim, apresenta um acentuado estado de degradação e deixou de “reunir as condições mínimas de segurança, saúde e dignidade no trabalho”.
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, acusou hoje o Comando Metropolitano do Porto da PSP de “branquear a realidade” ao negar, até agora, que o atendimento à população tenha fechado na esquadra de Cedofeita.
Na reunião da Assembleia Municipal do Porto de segunda-feira, o presidente da autarquia, Pedro Duarte, partilhou que a informação que obteve do Comando Metropolitano do Porto da PSP foi a de que, devido ao mau tempo que prejudicou as instalações da PSP no Heroísmo, foi necessário realocar aquele comando para 12.ª esquadra em Cedofeita “e por isso foi também preciso libertar algum espaço dentro dessa mesma esquadra em que os efetivos foram realocados a outras esquadras da mesma freguesia” e que não houve mais nenhuma alteração, assegurando que quem se deslocar até àquela esquadra, na praça Pedro Nunes, será atendido.
“No período noturno, também haverá um polícia. No caso de haver alguma emergência é atendido no momento, com a chamada de um carro de patrulha no imediato, se for algo que não seja emergente, será encaminhado durante o período da noite para outra esquadra da cidade”, acrescentou o autarca.
O atual presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, Nuno Cruz, ameaçou na sexta-feira avaliar a cedência deste edifício à PSP.
“Deixo um recado: se o edifício da extinta junta de Cedofeita não servir a população local, a Junta terá de avaliar se valerá a pena o esforço financeiro da União de Freguesias para ter a PSP naquele edifício”, escreveu Nuno Cruz na sua página oficial da rede social Facebook.
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