Arqueólogos descobriram um esqueleto que poderá pertencer a Charles de Batz-Castelmore, o verdadeiro D’Artagnan que inspirou Alexandre Dumas em “Os Três Mosqueteiros”. Se confirmada, a descoberta poderá finalmente resolver um mistério que perdura há mais de três séculos.
Estátua de D’Artagnan em frente à torre de Armagnac, em Auch, Gers, Occitânia, França.
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Poucos poderão saber quem foi Charles de Batz-Castelmore, mas o nome D’Artagnan é uma figura incontornável da cultura popular. Mais de 350 anos após a morte do militar francês que inspirou Alexandre Dumas na obra “Os Três Mosqueteiros”, arqueólogos acreditam ter encontrado os restos mortais do famoso herói da literatura, teatro, cinema e televisão.
Para compreender esta possível descoberta, é preciso recuar ao século XVII. Em vida, o verdadeiro D’Artagnan foi espião e mosqueteiro, funcionando como uma espécie de braço direito do rei Luís XIV, conhecido como o “Rei-Sol”. O militar francês morreu a 25 de junho de 1673, durante o Cerco de Maastricht, após ter sido atingido na garganta por uma bala de mosquete.
Desde então, acredita-se que o corpo de D’Artagnan tenha sido sepultado numa igreja da região. Essa crença voltou a ganhar força recentemente, depois de o chão da igreja de St. Peter and Paul, em Maastricht, nos Países Baixos, ter abatido em fevereiro. De acordo com a emissora local L1 Nieuws, durante as obras de reparação foi descoberto um esqueleto enterrado debaixo do edifício.
Um mistério com mais de três séculos
O diácono da igreja decidiu contactar Wim Dijkman, um arqueólogo aposentado da região que passou 28 anos à procura do local onde terá sido sepultado o conde de Artagnan: “Ficámos bastante silenciosos quando encontramos o primeiro osso”, afirmou Jos Valke, em declarações à BBC.
O esqueleto foi descoberto debaixo da nave da igreja, que já não corresponde à estrutura original da época, em frente ao altar, um local habitualmente reservado a figuras de elevado estatuto. Próximo do corpo foi encontrada uma moeda francesa, o que reforça a ideia de que se trata de uma pessoa de elevado estatuto.
Os vestígios no esqueleto indicam um ferimento por bala de mosquete na região das costelas, compatível com a morte histórica de D’Artagnan. Para confirmar a identidade, foram recolhidas amostras de ADN dos dentes no dia 13 de março, que estão a ser comparadas com a linhagem paterna de Bertrand de Batz de Castelmore, próximo de Avignon, num laboratório em Munique.
Para Jos Valke, é quase certo que se trata dos restos mortais de Charles de Batz-Castelmore, o famoso D’Artagnan. Já o arqueólogo Wim Dijkman, homem das ciências exatas, prefere aguardar pelos resultados dos testes de ADN, embora mantenha expectativas elevadas em relação à descoberta: “Procuro o túmulo de d’Artagnan há 28 anos. Este pode ser o ponto alto da minha carreira“, disse.
“É uma história extremamente emocionante. Trata-se da pessoa mais famosa ligada a Maastricht, o que, naturalmente, é notícia a nível mundial!”, referiu ainda o arqueólogo.
Se confirmada, a descoberta poderá finalmente resolver o mistério que envolve o local de sepultura de D’Artagnan, uma lenda que perdura há mais de três séculos.
