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Um grupo de militantes mais jovens defende que o Partido Socialista deve afirmar-se como alternativa e não como parceiro do Executivo.
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No Congresso que começa esta sexta-feira em Viseu, José Luís Carneiro vai ouvir a geração de militantes dos 30 aos 40 anos defender que o partido se afirme como alternativa ao Governo para não ser ultrapassado pelo Chega.
Carneiro já subiu o tom do discurso, em privado, quando ameaçou romper o diálogo por causa do impasse na escolha dos juízes do Tribunal Constitucional, o que poderá pôr em risco o Orçamento do Estado.
A moção estratégica defendida por Miguel Costa Ramos, deputado do PS, é promovida também por Pedro Costa e subscrita por nomes próximos de Pedro Nuno Santos, como Álvaro Beleza. A nova geração quer o partido focado em responder aos problemas da população.
Os promotores rejeitam também estar a construir um caminho alternativo à liderança.
A este desejo de mudança na estratégia junta-se o incómodo de alguns socialistas com a visita de Carneiro à Venezuela no passado fim de semana.
Marta Temido teme “governo-fantoche”
Ao Observador, Marta Temido, eurodeputada, admite que pode ter sido um tiro no pé, se der a ideia de legitimação do que chama “governo-fantoche”.
“O que me deixa desconfortável é que daqui possa resultar a ideia de legitimação de um governo-fantoche”, afirmou.
Já Francisco Assis distancia-se do regime que desrespeita princípios democráticos.
“A minha posição sobre o regime venezuelano não se alterou. É exatamente a mesma que me levou a elaborar e votar muitas resoluções, no Parlamento Europeu, de condenação de um regime autoritário que desrespeita princípios democráticos básicos”, afirmou.
O Congresso dos próximos dias será o primeiro do PS como 3.º maior partido. Além de um momento de reflexão, serve para entronizar o líder, reeleito com quase 97% dos votos, numa eleição sem adversários.
