Agronegócio

Relatório alerta que Europa não está preparada para agravamento dos incêndios florestais


A Europa não está preparada para responder ao aumento dos incêndios florestais e necessita de expandir a capacidade aérea de combate ao fogo, assim como os níveis de investimento, segundo um relatório encomendado pela Avincis.

O documento foi apresentado esta semana na Aerial Fire Fighting Series: Global Conference and Exhibition, em Roma, e surge após uma época de incêndios em 2025 em que arderam mais de 1,03 milhões de hectares na União Europeia (UE), com 81% dos danos concentrados em cinco países.

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O relatório, intitulado On fire: The challenges of fighting forest fires from the air in a warmer Europe, identifica a dimensão e a idade da frota europeia de combate a incêndios como a principal vulnerabilidade operacional.

Embora o compromisso de 600 milhões de euros assumido pelo Parlamento Europeu em 2024 para a aquisição de 22 aeronaves DHC-515 em seis países seja visto de forma positiva pelo setor, os especialistas consideram que a medida está longe de responder às necessidades.

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De acordo com o documento, a escassez de aeronaves está a tornar-se crítica à medida que as épocas de incêndios se prolongam e se intensificam. A procura de meios aéreos já cresce a um ritmo superior à capacidade de resposta da Europa, sobretudo nos meses de verão. Nesse contexto, o relatório defende a criação de quadros de abastecimento em massa para permitir aos fabricantes abrir segundas linhas de produção e acelerar os prazos de entrega.

A pressão sobre a capacidade operacional é agravada pela falta de pilotos. Segundo o relatório, um piloto estrangeiro que pretenda trabalhar na União Europeia tem de realizar mais de 12 exames de conversão de licenças ao abrigo da regulamentação da AESA, enquanto nos Estados Unidos da América (EUA) ou na Austrália esse processo exige apenas um ou dois exames. Ao mesmo tempo, o reforço dos orçamentos da defesa na Europa está a atrair profissionais da aviação para carreiras militares, numa fase em que muitos pilotos experientes no combate a incêndios se aproximam da reforma.

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O documento alerta que esta escassez de pessoal demorará pelo menos uma década a ser resolvida, o que exige o arranque imediato de medidas de formação.

As conclusões do relatório apontam ainda para uma falha estrutural na forma como a Europa tem financiado esta área, mantendo o foco na resposta à emergência em vez da preparação. Para os especialistas reunidos pela Avincis, os governos terão de abandonar o modelo reativo e avançar para um financiamento sustentado que permita reforçar a frota, formar pilotos e melhorar a coordenação entre países.

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