A AJAP – Associação dos Jovens Agricultores de Portugal alertou para a insuficiência dos apoios ao investimento agrícola e para a elevada taxa de candidaturas não aprovadas no âmbito da medida de modernização das explorações, defendendo a necessidade de reforço urgente das dotações e de medidas de apoio ao setor.
De acordo com a Associação, no âmbito da Medida C-2.1.1. «Investimento Produtivo Agrícola – Modernização – Explorações Agrícolas», integrada no PEPAC – Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, foram submetidas 2.544 candidaturas, tendo sido aprovadas apenas 730. Isto representa mais de 70% de projetos excluídos, num contexto em que a procura superou largamente a dotação disponível, mesmo após o reforço orçamental de 35 para 100 milhões de euros.
 
A AJAP considera que este cenário compromete investimentos essenciais nas explorações, nomeadamente em áreas como reconversão produtiva, adaptação às alterações climáticas, eficiência energética e introdução de novas tecnologias.
A Associação sublinha que a elevada taxa de exclusão é desmotivante para os agricultores e coloca em causa o reforço da competitividade do setor.
 
Segundo a mesma entidade, a adesão massiva às candidaturas demonstra a necessidade de investimento e a vontade dos agricultores em modernizar as suas explorações. No entanto, a verba disponibilizada revelou-se insuficiente face às expectativas, agravando um contexto já marcado por custos elevados dos fatores de produção e baixos preços pagos à produção.
A Associação enquadra ainda estas dificuldades num cenário mais amplo de instabilidade internacional, alterações climáticas e aumento dos custos de energia, combustíveis e fertilizantes, fatores que estão a pressionar a viabilidade económica das explorações agrícolas e pecuárias.
 
A AJAP defende a adoção de medidas urgentes, incluindo o reforço da dotação da medida de investimento produtivo, o pagamento célere de indemnizações e o restabelecimento do potencial produtivo afetado por incêndios e cheias recentes.
Além disso, a Associação considera igualmente necessária uma resposta política mais robusta e coordenada ao mais alto nível governativo.
 
Na sua posição, a AJAP entende que o Governo deve assumir um papel ativo na mobilização de apoios ao setor, garantindo condições para que os agricultores enfrentem os desafios atuais e evitando uma “espiral recessiva” com impacto na economia nacional e na soberania alimentar.
