“Precisamos constantemente de combater os centralistas. E os centralistas não têm cor partidária. Nem têm geografia. Estão em todos os partidos políticos e em todos os lugares, às vezes até nos lugares que reclamam descentralização”, afirmou.
Bolieiro falava na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, na conferência “50 Anos de Autonomia nas Comunidades”, organizada pela secretaria dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do executivo açoriano.
O líder regional defendeu que a “autonomia é progressiva” e que a “democracia não é uma conquista adquirida” e alertou que os centralistas sofrem de uma “crise de existência porque perderam o império”.
“[O Estado] nem sequer ponderou, nunca, o lado em que paga tributo a quem lhe dá valor estratégico e geopolítico. Continua a achar que a principal mensagem é a de estar a dar muito em solidariedade e ‘vocês têm de gerir o pouco que damos’. Não é justo esse entendimento. É um entendimento centralista, colonialista e do século passado”, criticou.
Bolieiro defendeu que a “projeção atlântica” que os Açores e a Madeira dão a Portugal “nunca foi remunerada” e lembrou a importância do arquipélago açoriano na relação com os Estados Unidos e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
O presidente do Governo dos Açores rejeitou uma “autonomia de mão estendida”, mas sinalizou a “ingratidão” do Estado por não compensar o “valor acrescentado” que a região dá ao país.
“Que vantagens temos tirado disso [do valor geoestratégico] para o nosso desenvolvimento? Zero. Porque o país tem sido ingrato nessa matéria”, insistiu.
Antes, na mesma conferência, o antigo presidente do Governo da Madeira Alberto João Jardim defendeu que o primeiro-ministro devia “pôr no olho da rua” quem criou a “trapalhada” do subsídio de mobilidade, enquanto Mota Amaral exigiu “respeito” pelas autonomias.
Jardim, que liderou o Governo da Madeira de 1978 a 2015, referia-se ao debate das propostas para revogar a mudança introduzida pelo Governo da República no subsídio de mobilidade que obriga os passageiros a ter a situação contributiva regularizada para aceder ao apoio.
As propostas acabaram aprovadas apesar dos votos contra das bancadas do PSD e do CDS-PP, com a exceção dos seis deputados sociais-democratas eleitos pelas regiões autónomas da Madeira e dos Açores, que votaram a favor.
A Assembleia da República aprovou quarta-feira, na generalidade, duas propostas de lei dos parlamentos regionais dos Açores e da Madeira que dispensam a exigência de situação contributiva regularizada no acesso ao SSM nas viagens aéreas.
Com a aprovação na generalidade, estes três diplomas baixam à 14.ª Comissão das Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, para discussão na especialidade.
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