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Opinião de Silva Pires: Ebro regressa sino-espanhola


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Opinião

A espanhola Ebro está a renascer das cinzas com uma operação ousada que traz de volta a marca madrilena com base em tecnologia chinesa da Cherry. Baseada agora em Barcelona, faz de Portugal a sua primeira aposta no mercado europeu, para já com quatro SUV, ofertas a gasolina, HEV e PHEV e, dentro em breve um cem por cento elétrico, igualmente no mesmo estilo.

A joint-venture sino-espanhola tem 60% do capital detido pelos nossos vizinhos e está cotada em bolsa. Instalou-se na Zona Franca da capital catalã, adquirindo a fábrica desativada onde funcionou a Nissan, investiu 100 milhões de euros e pôs a funcionar, em moldes diferentes, uma operação de badge engineering’ que teve um arranque promissor no país vizinho, onde, em 16 meses, se transformou na marca com maior crescimento no ativo mercado local na última década: 12 460 unidades vendidas, em 2025, o que equivale a uma cota de mercado de 1,9%.

A operação assenta em duas plataformas multi-energias vindas da China que recebem uma carroçaria, com design da Cherry, que chega a Barcelona em blocos estampados, os quais são aqui soldados numa linha que conta com 200 robôs. A finalização é toda ela feita na Catalunha, num dos processos de re-industrialização considerados dos mais importantes concretizados na Europa.

Tudo isto, com a colaboração da Chery significou “o desenvolvimento de capacidades ao longo de toda a cadeia de valor e do reforço do marketing de marca, da rede de concessionários e dos serviços de pós-venda.

No futuro, a Ebro irá aprofundar a produção local e a I&D adaptativa na Europa, de forma a sustentar o crescimento. A partir de Portugal, a marca expandir-se-á para outros mercados europeus, avançando com a estratégia global da EBRO”, disse Johnson Xu, Vice-Presidente Chery International, que esteve em Lisboa para o lançamento da marca, juntamente com Rafael Ruiz, o presidente da Ebro.

Em Portugal, partida para a aventura da exportação, a Ebro estabeleceu uma parceria com o grupo MCoutinho, um dos grandes retalhistas nacionais que vai garantir, atá final do ano, uma rede de dez concessionários, a qual será duplicada até 2028, permitindo larga cobertura do país. Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria e Lisboa estão na primeira linha desta aposta.

Rafael Ruiz acredita que a Ebro pode ser um ator relevante em Portugal e um passo firme num projeto com elevado potencial de crescimento, facilitada pela sólida experiência e conhecimento do mercado do Grupo MCoutinho.

QUATRO MODELOS E SEIS ESCOLHAS

Estética de compromisso, toque asiático não muito exuberante, os Ebro revelam boa presença e, como de costume nos automóveis chineses, um interior cuidado e com laivos de requinte. Nada de novo ou especialmente marcante, mas sempre uma boa qualidade percebida, espaço, conforto e equipamento completo.

Resumidamente, a gama é esta na apresentação da marca:

Ebro s400: SUV compacto híbrido (HEV), pensado para ambiente urbano e utilização quotidiana, com elevada eficiência (5,3 l/100 km) e potência combinada de 211 cv. Disponível a partir de 29 240€.

Ebro s700: SUV versátil para famílias, disponível em versões gasolina (147 cv – desde 33 740€), HEV (224 cv, desde 36 240€) e PHEV (279 cv, desde 42 240€). Este, destaca-se pela autonomia até 1 200 km e até 90 km em modo 100% elétrico.

Ebro s800: SUV de sete lugares, focado no conforto e espaço, com até 1 930 litros de bagageira e motorização gasolina e PHEV com 279 cv. Desde 42 240€.

Ebro s900: topo de gama PHEV 4×4 com 428 cv, autonomia elétrica até 177 km (1 050 km combinada) e tecnologia de última geração. Desde 56 740€.

A tecnologia anunciada a bordo inclui o processador Qualcomm Snapdragon 8155, ecrãs de até 15,6 polegadas, sistema de som Sony e a aplicação EbroAuto para controlo remoto de funções.

Os veículos incluem até nove airbags e um pacote de 24 sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), como o cruise control adaptativo e câmaras de visão envolvente.

A Ebro oferece uma garantia de sete anos ou 150 mil km. Para os sistemas híbridos, a cobertura estende-se até aos oito anos ou 160 mil km. O serviço de pós-venda será assegurado pela infraestrutura logística suportada em quatro placas de distribuição de peças na Península Ibérica, duas das quais em Portugal.



SIC Noticias

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