Agronegócio

Federação das Pescas dos Açores alerta para “grave ameaça” com subida dos combustíveis


A Federação das Pescas dos Açores alertou hoje para “a grave ameaça” à sustentabilidade do setor devido ao aumento sucessivo dos combustíveis, exigindo medidas urgentes para proteger a atividade e garantir sustentabilidade.

Segundo a federação, o setor enfrenta na região um novo agravamento dos custos operacionais na sequência dos recentes aumentos no preço dos combustíveis, que constitui “uma das principais componentes de custo na operação das embarcações”.

Além do impacto imediato no abastecimento das frotas, a Federação das Pescas aponta igualmente para os efeitos indiretos ao longo de toda a cadeia de valor, nomeadamente ao nível do transporte, distribuição, manutenção de equipamentos e preço dos bens e serviços essenciais à atividade piscatória.

“Este efeito cumulativo agravará ainda mais a pressão sobre as empresas do setor, muitas das quais já operam com margens reduzidas”, sustenta a federação, em nota de imprensa, assinalando que já transmitiu esta preocupação às entidades governamentais, primeiro numa reunião realizada em 06 de março com o secretário regional do Mar e das Pescas e, posteriormente, em 16 de março, num encontro com o secretário de Estado das Pescas.

Para além do aumento dos custos de produção, o setor “enfrenta uma pressão adicional ao nível da comercialização”, sustenta a federação, acrescentando que o comércio e a indústria, principais compradores, confrontados com “o aumento dos seus próprios custos operacionais, provavelmente terão que rever em baixa os preços de aquisição do pescado, agravando ainda mais a situação dos produtores”.

Por outro lado, “a incerteza” quanto à qualidade e dimensão da próxima safra, “aumenta o risco económico” para os profissionais do setor, alerta também.

A Federação das Pescas dos Açores, presidida por Jorge Gonçalves, refere que a este cenário se junta ainda a quebra do poder de compra das famílias, o que “inevitavelmente” se vai traduzir numa menor capacidade para adquirir pescado.

“Apesar do aumento acentuado dos custos de produção, não se perspetiva uma subida do preço de venda, uma vez que o mercado não terá capacidade para a absorver”, considera.

Para a federação, a conjugação destes fatores — aumento significativo dos custos, redução do preço de venda e quebra previsível no consumo — “coloca em risco a sustentabilidade económica” de muitas empresas de pesca nos Açores e pode comprometer a continuidade da atividade piscatória na região.

Face a este cenário, o setor exige às entidades competentes, tanto regionais como nacionais, a adoção de medidas urgentes de mitigação, nomeadamente através da criação de apoios específicos, incentivos à eficiência energética e mecanismos de compensação que permitam atenuar os impactos dos aumentos.

A atividade piscatória, sublinha a federação, assume “um papel essencial na economia da Região Autónoma dos Açores, na segurança alimentar e na coesão das comunidades locais”, pelo que é fundamental “garantir condições que assegurem a sua continuidade e sustentabilidade”.



AgroPortal

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