Portugal

Educadora lavou língua de crianças com sabão e proibiu WC em Viseu


Uma mulher de 64 anos foi acusada de 14 crimes contra 12 crianças pelas quais era responsável. Os maus-tratos terão acontecido entre 2017 e 2023, quando esta mulher era educadora de infância do grupo no Agrupamento de Escolas Cândido de Figueiredo, em Tondela, distrito de Viseu. Para além de agressões físicas, terá “subornado” as crianças para que não contassem as situações aos pais, assim como obrigava os alunos a despirem-se. Vítimas tinham entre três a cinco anos.

A informação é avançada esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias (JN), que refere que o despacho da acusação foi emitido no final de janeiro e que não há ainda data marcada para o julgamento, que vai decorrer no Tribunal de Tondela.

Explica a publicação que o Ministério Público (MP) adianta que “à medida que a primeira criança falasse ou [se] mexesse, [a mulher] ordenava que tirasse uma peça de roupa; se já estavam sem sapatos e meias, despiam a saia/calças, sucessivamente, até ficarem desnudos da parte de cima ou de cuecas e bibe.”

Segundo o MP, também na hora das refeições havia pressões exercidas sobre as crianças, dado que quando estas se recusavam a comer a educadora de infância obrigava-as a tal, “metendo-lhes a comida na boca à força, até quase vomitarem, enchendo-as de tal maneira que eram obrigadas a cuspir.” Caso não comessem a sopa, ficavam “o resto do dia todo sem comer”. A educadora dava ordens às auxiliares neste sentido.

O JN explica também que além de a agora arguida lavar a língua das crianças com água e sabão e de esbofeteá-las e dar-lhes palmadas, havia também conversas com os alunos em que os insultava. A uma das crianças disse que “a mãe não gostava dela, pois a ia deixar na escola e quem tomava conta dela era ela.” A outra, semanalmente, ofendia: “És gorda, burra, comes muitos bolos.”

Por várias vezes a educadora terá também proibido as crianças de irem à casa de banho, dizendo-lhes que “a bexiga estica” ou frases como “[se] estás aflito, aperta a pilinha.”

Para que não contassem aos pais, a mulher “subornava” as crianças com guloseimas”.

A transferência (após seis anos do início dos maus tratos)

Foi em 2023 que estes atos tiveram repercussões, depois de encarregados de educação terem questionado por que razão a educadora tinha proibido as crianças de comer um bolo de aniversário, algo que a mulher desmentiu. No dia seguinte, terá dito às crianças para contarem que comeram bolo.

Foi nesse ano que foi instaurado um processo disciplinar, tendo o Ministério da Educação suspendido a docente por um período de 90 dias, no início do terceiro período de aulas. Em abril, o MP começou a investigar as suspeitas de maus-tratos e a mulher foi transferida para a biblioteca da Escola Básica de Tondela, adjacente ao jardim de infância. Como algumas das crianças chegaram a passar para esse estabelecimento, a mulher tentou “persuadi-las a alterar as suas declarações”.

A associação de pais reagiu à acusação do MP pedindo uma mudança “estrutural” no que diz respeito à vigilância e acompanhamento nas escolas, escreve o JN. O grupo de pais refere ainda que os “danos são profundos”, para além de “duradouros”, tendo resultado em comportamentos “atípicos.”

“Não basta reagir ao erro, é preciso garantir que nenhuma outra criança seja sujeita a este trauma e que as instituições, principalmente as públicas, sejam lugares de proteção absoluta, e não de medo”, defende o grupo.

A primeira sessão de julgamento das funcionárias acusadas de maus-tratos a crianças numa creche de Rabo de Peixe, nos Açores, ficou marcada pela tentativa de justificação por parte das arguidas e falta de arrependimento das mesmas. O julgamento prossegue hoje com o testemunho de pais e de uma alegada vítima.

Natacha Nunes Costa | 09:49 – 24/03/2026



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