Arqueólogos descobriram mais de 40 mil fragmentos de cerâmica usados como suporte de escrita no Antigo Egito. Estes fragmentos, conhecidos como óstracos, foram encontrados nas ruínas da antiga cidade de Athribis.

Sepia Times
Os óstracos são fragmentos de cerâmica que os egípcios utilizavam para escrever mensagens, funcionando como uma espécie de blocos de notas da época. Ao longo das últimas duas décadas, foram encontradas 43 mil óstracos no sítio arqueológico de Athribis.
“Os óstracos mostram-nos uma variedade surpreendente de situações do quotidiano”, afirmou o arqueólogo Christian Leitz.
Os antigos egípcios recorriam a materiais acessíveis e económicos para registar momentos ou deixar alguma mensagem. O óstraco mais antigo foi encontrado em Athribis. Remonta ao século III a.C. e consiste num recibo fiscal escritos em demótico – uma forma de escrita cursiva do Antigo Egito, utilizada durante os períodos ptolomaico e romano, segundo a revista Smithsonian.
inscrição cerâmica Egito
Werner Forman
A maioria dos óstracos estão escritos em demótico, embora alguns estejam em grego, uma língua muito comum naquela época. Estes fragmentos incluem notas pessoais, listas, registos contabilísticos e cópias de textos. Alguns apresentam ainda ilustrações, como figuras geométricas ou desenhos.
“Esta diversidade é o que torna a descoberta tão valiosa”, acrescenta Christian Leitz.
Os óstracos têm sido fundamentais para o estudo sobre o Antigo Egito. Cerca de um terço dos documentos encontrados estão escritos em fragmentos de cerâmica ou pedra. Embora tradicionalmente os especialistas pensassem que estes materiais eram utilizados apenas quando faltava o papiro, há investigadores que defendem que alguns escribas optavam por escrever em pedaços de cerâmica.
Vestígio arqueológicos cerâmica
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