Economia

Cientistas do CERN levam antimatéria a 'dar uma volta' bem-sucedida

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Ciência

A Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), maior laboratório mundial de física de partículas, considerou um sucesso a sua experiência inédita de transportar 100 antiprotões num camião durante cerca de quatro horas.

Uma equipa de cientistas da experiência BASE do CERN conseguiu, pela primeira vez no mundo, transportar com sucesso 92 antiprotões numa gaiola criogénica portátil num camião nas instalações do laboratório, a 24 de março.

“Esta é uma conquista notável, dado que a antimatéria é muito difícil de preservar, pois aniquila-se ao entrar em contacto com a matéria”, segundo o comunicado do CERN.

A CERN, criada em 1954 e que tem 23 estados-membros, incluindo Portugal, que aderiu em 1986.

Os antiprotões foram suspensos em vácuo, dentro de uma caixa especialmente projetada para o efeito, e mantidos estáveis através de ímanes superarrefecidos.

Os cientistas transportaram então a antimatéria num percurso de meia hora para testar como, e se, aquelas partículas podiam vir a ser transportadas por estrada sem haver qualquer derrame ou outro incidente.

A porta-voz da CERN, Sophie Tesauri, considerou a experiência um sucesso, mas não foi revelada a quantidade de antiprotões intactos nas respetivas viagens.

O teste foi um primeiro passo para concretizar o plano de entrega de antiprotões da CERN a outros investigadores da Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, Alemanha, a cerca de oito horas de distância por estrada.

Transporte a -269ºC

Estes antiprotões estavam numa caixa de uma tonelada chamada “gaiola transportável”, com ímanes supercondutores, à temperatura de 269 graus Celsius negativos, para que a antimatéria se mantivesse suspensa – sem tocar as paredes internas, que são feitas de matéria.

A massa da experiência – um pouco menor que cerca de 100 átomos de hidrogénio – é tão pequena, segundo os peritos, que o pior resultado possível seria a perda dos antiprotões.

Mesmo que entrassem em contacto com matéria, qualquer liberação de energia seria impercetível ao olho humano e só um osciloscópio, que capta sinais elétricos, conseguiria detetar o fenómeno.

A CERN, sedeada em Genebra, tem como grande feito o grande colisor de hadrões, um túnel acelerador de partículas com 27 quilómetros de extensão, 100 metros abaixo da superfície, entre a França e a Suíça.

Além das experiências mais abstratas, foi também na CERN que o britânico Tim Berners-Lee concebeu e desenvolveu a World Wide Web, em 1989, dando lugar à revolução digital que se seguiu.



SIC Noticias

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