Diante da realidade atual em várias regiões do país, a AJAP fez um apelo urgente ao Governo e aos partidos da oposição para que deixem de lado as contas políticas e o défice, e demonstrem verdadeira solidariedade para com um povo resiliente que sempre esteve presente quando chamados a fazer sacrifícios.
“O Governo tem de esquecer os limites orçamentais e tem o dever de ajudar as pessoas, as empresas, os empregos, os agricultores e os jovens agricultores. Uma coisa é certa: o atraso nas ajudas e ajudas à base de empréstimos vão seguramente provocar falências, despedimentos, um caos na economia e o descrédito nas instituições”, lê-se no comunicado de imprensa enviado às redações.
 
O apelo surge depois da visita do Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, a convite do Ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, a várias explorações agrícolas nos concelhos de Leiria e Pombal, duas das regiões mais afetadas pelo mau tempo.
 
De acordo com a nota de imprensa, é urgente “salvar” as pessoas afetadas pela “desgraça, miséria e prejuízos muito avultados” causados pelos incêndios de 2025, agravados por este “comboio de tempestades”, que devastaram vidas, bens (habitações) e até empregos.
Segundo a AJAP, o mesmo se aplica a muitas empresas, independentemente do seu tamanho, e aos agricultores, que não conseguirão reerguer-se se os apoios não chegarem a tempo.
 
“Imaginamos o esforço que tantos empresários vão ter de fazer para se aguentar, o mesmo para os agricultores e jovens agricultores que viram quase tudo ir ‘por água abaixo’, ou destruído pela água que os invadiu. A vida destes empresários e agricultores é, já de si difícil, agora imaginemos quando intempéries desta natureza lhes batem à porta e entram sem pedir licença”, sublinhou a comunicação.
A AJAP sublinhou que estes fenómenos climáticos evidenciam a necessidade urgente de uma ação governamental eficaz para mitigar os efeitos das alterações climáticas, garantindo que o país esteja mais preparado para enfrentar catástrofes futuras. A crescente imprevisibilidade climática exige políticas preventivas e de resposta imediata para proteger as pessoas e os bens afetados.
 
A AJAP defendeu também que o Governo deve agir de forma solidária, deixando de lado as disputas políticas e focando-se nas soluções para apoiar os cidadãos e os setores mais afetados. A falta de preparação estrutural do país para lidar com catástrofes naturais, especialmente em áreas vulneráveis como a agricultura e a floresta, é uma preocupação central. A solidariedade institucional e a implementação de medidas eficazes de prevenção são essenciais para garantir que as populações afetadas possam ser protegidas de forma adequada e célere.
A Associação propôs ainda a criação de seguros específicos para cobrir riscos naturais em áreas como agricultura, pecuária, florestas e agroindústria. A criação de um mecanismo de resseguros, envolvendo a União Europeia (UE), o BEI (Banco Europeu de Investimento) e o BPF (Banco Português de Fomento), poderia garantir que as companhias de seguros oferecessem produtos adaptados às necessidades do setor. Além disso, a obrigatoriedade de contratação desses seguros, com bonificação do prémio, seria uma medida de segurança importante para os agricultores e empresários.
A AJAP também destacou a importância de um investimento mais robusto nos territórios rurais, onde a agricultura, a floresta e a pecuária enfrentam condições climáticas difíceis.
Na sua ótica, e essencial apoiar a instalação de Jovens Agricultores nestas zonas, especialmente nas que enfrentam maior dificuldade devido à topografia e ao clima. A integração da agricultura com a pecuária e a floresta pode ser uma solução para revitalizar essas áreas, promovendo práticas sustentáveis e equilibradas, além de reforçar a ligação entre as atividades agrícolas e o turismo rural.

