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Obra de Saramago: ensino da literatura portuguesa está condicionado por um exame "absolutamente facilitista"

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Educação

Entrevista SIC

António Carlos Cortez comentou, na antena da SIC, a proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português, atualmente em consulta pública, que sugere terminar com a obrigatoriedade de obras de José Saramago no ensino secundário. O professor e ensaísta alerta para o grau de exigência, cada vez menor, dos exames nacionais que deveriam ser “verdadeiros exercícios de exigência na prática da leitura e redação” críticas.

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Em entrevista à SIC Notícias, António Carlos Cortez comentou a polémica do momento: a possibilidade de a obra de Saramago deixar de ser obrigatória no 12.º ano. O poeta e ensaísta defendeu que o problema central está “na qualidade com que lecionamos conteúdos complexos como o texto literário, (…) nomeadamente o romance e estilo de Saramago (…) com que muitos alunos se confrontam e têm muitas dificuldades”.

Além disso, há para o professor, questões essenciais, como a “exigência dos exames nacionais” que deveriam ser prioritárias.

“A questão essencial é a onipotência dos exames do IAVE que na verdade não testam, com exigência, conteúdos literários como José Saramago ou Mário de Carvalho”

Mas há mais, refere: o ensino da literatura portuguesa está condicionado por um exame “absolutamente facilitista (…) centrado em perguntas opcionais e exercícios de correspondência, que não levam à redação e à leitura do texto complexo”.

António Carlos Cortez vai mais longe e considera que os exames nacionais não só “condicionam toda a prática docente” como levam a que os alunos terminarem o ensino secundário com “dificuldades significativas na compreensão”. Mas há mais problemas:

“Com que grau de saber é que temos estado a formar professores nos últimos 20 anos“, questiona.

Quanto a soluções, o ensaísta defende que os exames nacionais devem ser “mais exigentes e orientados para o desenvolvimento da leitura e da escrita críticas”, em vez de manter o modelo atual, que é “insuficiente para avaliar verdadeiramente o conhecimento” dos alunos.

O que pode vir a mudar

A proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais de Português retira a obrigatoriedade de obras de José Saramago no 12º ano.

Na prática, as escolas podem deixar de ter de escolher uma obra do escritor no 12.º ano, passando a poder optar por outros autores.

Atualmente, o programa prevê a leitura integral de “Memorial do Convento” ou de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”. Mas, segundo o ministro, as escolas poderão a vir a escolher “entre três obras, duas de José Saramago e uma de Mário de Carvalho”.



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