Numa era em que os SUV Coupé estão na moda, este 230i é um BMW ao estilo mais clássico. Um coupé que não tenta ser mais do que isso. E neste caso, tem motor frontal e tração traseira. Como o M2 e o M245i têm tração integral, este é o BMW Coupé com tração traseira mais potente à venda. Tem 245cv que me levaram a ir até Amarante para o testar em algumas das estradas por onde já passou o Rali de Portugal.
Pode não ter uma imagem tão exuberante como o M2, mas o essencial está lá. As linhas bem esculpidas e o ar musculado. Os retoques estéticos que levou agora são subtis. Nova grelha, novos spoilers laterais e um difusor traseiro que lhe dá melhor apoio. Ao mesmo tempo que é elegante, deixa adivinhar que por dentro não há muito espaço. É um 2+2 que à frente nunca é acanhado, mas que nos dois lugares traseiros não é tão generoso.
A primeira coisa que distingue este Coupé da restante gama Série 2 e dos Série 1 é ter tração traseira. Isso torna-o diferente e, até, raro, perante a nova estratégia da marca alemã para a oferta de carros mais compactos. Mas já lá vamos.
Por dentro, o 230i é um automóvel centrado no condutor. Boa posição de condução, volante com comandos físicos. Só o ecrã central, com 14,9”, destoa, pois é a única alternativa para várias operações. Felizmente, a consola central tem também botões físicos, como o de seleção dos modos de condução.
Chegado a Amarante, as curvas que as estradas da região oferecem são ideais para colocar um automóvel destes à prova. Sem esquecer que debaixo do capot está um quatro cilindros, o mais importante mesmo é precisão e o desempenho dinâmico. Faz menos de 6 segundos dos 0 aos 100km/h, mas isso é apenas um número. O motor tem um som bem conseguido que se revela mais rouco a baixa rotação sem ser muito intensivo. Longe de se afirmar como um desportivo puro, é muito competente e equilibrado. Sem dificuldade, consegue entusiasmar. A caixa automática, com oito velocidades, faz o resto. Bem escalonada, é uma peça essencial no prazer de condução que este carro transmite. Até dispenso as patilhas no volante, que são curtas e por isso tornam a condução menos natural. Há três modos de condução: o Eco Pro, que deu jeito em autoestrada para baixar o consumo, o Comfort que é bom para o dia-a-dia, e o Sport, que é bom para dias assim, em estradas com mais curvas do que retas. A resposta do acelerador fica mais rápida, a direção mais pesada, a resposta dos travões é mais imediata e há mais sonoridade do motor, ainda que seja conseguida por via digital.
O BMW 230i é sempre equilibrado, sem pregar surpresas mesmo quando se desliga o controlo de estabilidade. É o resultado de um chassis com afinação exemplar. A direção é precisa e mesmo com um ritmo mais elevado o nervosismo é muito contido. A suspensão passiva é muito firme mas isso não parece incomodar quem segue nos lugares dos passageiros e muito menos quem está ao volante. É um carro que transmite leveza. Coisa cada vez mais rara nestes dias. E é também isso que o torna entusiasmante. Talvez a direção pudesse ser um pouco mais informativa, mas para um automóvel com estas características, o resultado final é suficiente.
Nesta viagem, fiz um consumo de 7 litros aos 100km/h. Claro que deixo de fora um ou outro percurso onde o entusiasmo levou o consumo a ficar perto dos 10 litros aos 100km/h. Mas, numa utilização quotidiana, o primeiro número não é difícil de alcançar.
Quem procura um Coupé ao estilo mais clássico tem no BMW 230i um dos últimos exemplos onde a experiência ainda não é demasiado filtrada. Dinâmico, revela aquele prazer que um tração traseira oferece, num carro com posição de condução baixa como se pretende. É verdade, merecia ter uma suspensão ativa, mas nem tudo é perfeito e dá para viver bem com isso.
BMW 230i Coupé fotografado no Monverde Wine Experience Hotel

