O Presidente iraniano afirmou esta terça-feira que o Irão tem vontade de “pôr fim” à guerra contra os Estados Unidos e Israel, mas quer garantias para “impedir a repetição da agressão”.
Majid Asgaripour/Reuters
“Temos a vontade necessária para pôr fim” ao conflito, que já completou um mês, “desde que estejam reunidas as condições essenciais, em particular as garantias necessárias para impedir a repetição da agressão”, afirmou o líder iraniano, durante uma conversa telefónica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Na conversa, Pezeshkian reiterou uma das principais exigências colocadas pela República Islâmica para o fim das hostilidades, a par do fim da agressão, que passa pelo pagamento de indemnizações financeiras, da definição clara das responsabilidades e da cessação das hostilidades em todas as frentes.
“A solução para normalizar a situação é o fim” da ofensiva, sublinhou também Pezeshkian.
Por seu lado, António Costa pediu ao Presidente iraniano um “espaço para a diplomacia”, que a União Europeia (UE) pode mediar, bem como o desbloqueio do Estreito de Ormuz.
Numa publicação na rede social X após a conversa, o presidente do Conselho Europeu disse ter apelado “ao alívio das tensões e à moderação, à proteção dos civis e das infraestruturas civis, bem como à necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional”.
Além disso, disse ter exortado o Irão a pôr termo aos ataques contra países da região e empenhar-se na via diplomática para “garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.
“Tem de haver espaço para a diplomacia. A UE está pronta a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, abordando simultaneamente as preocupações de segurança mais amplas suscitadas pelo Irão”, defendeu ainda António Costa.
A conversa telefónica surge numa altura em que a guerra atinge a marca das cinco semanas e num momento em que o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, disse que os próximos dias da guerra contra o Irão “serão decisivos”, recusando descartar o envio de tropas para território iraniano.
“Os próximos dias serão decisivos. O Irão sabe disso e praticamente não há nada que possa fazer militarmente a esse respeito”, declarou Hegseth numa conferência de imprensa no Pentágono (Departamento de Defesa).
De acordo com Pete Hegseth, as negociações com o Irão para pôr fim à guerra estão a intensificar-se.
“Não queremos ter de fazer militarmente mais que o necessário. Mas não o disse de ânimo leve quando afirmei que, entretanto, negociaremos com bombas”, sublinhou.
“Não vamos descartar nenhuma opção. Não se pode travar e ganhar uma guerra se se disser ao adversário o que se está preparado para fazer, ou não, incluindo tropas terrestres”, argumentou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
