Cultura

Bucha, a cidade mártir que revelou ao mundo a brutalidade da guerra na Ucrânia


Guerra Rússia-Ucrânia

Imagens violentas

O massacre de Bucha, a cidade mártir que definiu a visão do resto da Europa sobre a invasão da Ucrânia, foi revelado há quatro anos. Para que a memória não morra, a SIC recorda agora o que encontraram os militares ucranianos quando expulsaram as tropas russas e recuperaram o controlo dos arredores de Kiev.

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O dia em que o mundo percebeu, em peso, que a guerra na Ucrânia não era apenas um conflito regional foi aquele em que as primeiras imagens de corpos espalhados pelas ruas de Bucha confirmaram as suspeitas de que a Rússia não quis apenas ocupar território ucraniano, mas calar um povo com a sentença definitiva da morte.

A cidade de Bucha foi invadida três dias depois do início da invasão russa da Ucrânia. Esteve sob controlo russo durante um mês, desde fevereiro de 2022 até ao final de março. Na retirada, chegaram à frente mediática os relatos do horror.

Ter ficado vivo não significa ter conseguido sobreviver.

Foram encontrados 458 corpos. A maioria tinha sinais de ferimentos por trauma violento, tortura ou execução, porque terão sido espancados de forma violenta, atados pelas mãos e pés e baleados à queima-roupa. Eram quase todos civis. E a rua Yablunska foi só o início do macabro.

A maioria dos mortos estava amontoada em valas comuns junto à Igreja de Santo André.

Os crimes de guerra foram investigados por equipas francesas de medicina legal, com recolha de amostras de ADN para identificação da maioria dos cadáveres. Foi apurada a principal culpada pelo massacre: a Brigada Russa de Assalto Aéreo 234.

As sanções económicas aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos à Rússia foram alargadas. E o país liderado por Putin foi expulso do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Quatro anos depois, os ministros europeus dos Negócios Estrangeiros e a chefe diplomática da União Europeia estiveram em Bucha para a cerimónia de homenagem às vítimas do massacre.

Estiveram também para reforçar a intenção de julgar altos dirigentes políticos e militares russos no recém-criado Tribunal Especial para o Crime de Agressão, que não fica limitado, como o Tribunal Penal Internacional, pelas imunidades das elites.

Mas, até agora, apenas oito países assinaram o acordo que financia e dá poder ao novo tribunal, que, como seria de esperar, a Rússia já disse que não reconhece.

Quatro anos depois de Bucha, a guerra na Ucrânia mantém-se ativa, apesar de já não estar na maioria das aberturas dos jornais.



SIC Noticias

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