Portugal

Genéricos geraram poupança de mais de 666 milhões de euros em 2025

Este ano, os medicamentos genéricos já geraram uma poupança superior a 164 milhões de euros, segundo os dados da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e da Associação Portuguesa de Medicamentos pela Equidade em Saúde (Equalmed).

“A cada segundo, a dispensa de medicamentos genéricos (MG) nas farmácias comunitárias gerou uma libertação de recursos de 21,13 euros, o equivalente a 1.267 euros por minuto, 76 mil euros por hora e mais de 1,8 milhões de euros por dia para as famílias portuguesas e para o Estado”, salientam as associações em comunicado.

Segundo os dados, os genéricos permitiram alocar à saúde um financiamento superior a 666 milhões de euros em 2025, menos 4,1 milhões euros do que em 2024.

“Este valor sugere uma relativa estabilização dos recursos libertados pelos medicamentos genéricos, tendo em conta a trajetória crescente que tinha vindo a aumentar todos os anos desde 2018. Ainda assim, entre 2011 e 2025, os MG já permitiram libertar mais de 7,2 mil milhões de euros”, salientam.

Segundo as associações, o valor dos recursos libertados em 2025 por genéricos é equivalente à despesa com medicamentos das Unidades Locais de Saúde do SNS de Santa Maria, de Coimbra e de São José, segundo o relatório de monitorização da despesa com medicamentos em contexto hospitalar do Infarmed, e daria para pagar integralmente a construção do novo Hospital de Lisboa Oriental (que ronda os 380 milhões de euros) e do novo Hospital do Oeste (265 milhões).

O presidente da Equalmed, João Paulo Nascimento, destaca no comunicado que, “no atual contexto geopolítico, em que as cadeias de abastecimento são pressionadas, os medicamentos genéricos assumem-se como tecnologias estratégicas para a resiliência do Serviço Nacional de Saúde”.

“Tendo em conta o papel determinante no acesso a medicamentos essenciais e na promoção da equidade em saúde, os MG são indispensáveis, especialmente quando o sistema de saúde é pressionado perante o aumento contínuo da despesa”, sublinha.

João Paulo Nascimento sustenta que estes medicamentos, mais custo-efetivos, são determinantes na redução de desigualdades, no aumento da adesão à terapêutica e na resposta à crescente longevidade num contexto de maior prevalência das doenças crónicas.

Ao nível de abastecimento, contribuem para mitigar ruturas e reforçar a segurança no fornecimento de medicamentos essenciais, promovendo simultaneamente um mercado farmacêutico mais competitivo.

A presidente da ANF, Ema Paulino, diz, por seu turno, que os resultados alcançados em 2025 “confirmam o contributo decisivo dos genéricos para a sustentabilidade do sistema de saúde e para o acesso dos cidadãos às terapêuticas”.

“E agora fundamental avançar com a revisão do modelo de incentivos à dispensa de medicamentos genéricos nas farmácias comunitárias, em linha com as orientações do Orçamento do Estado para 2026, de forma a reforçar o crescimento da sua quota de mercado e continuar a gerar poupanças para o país”, defende.

A responsável afirma que a informação internacional demonstra que os incentivos às farmácias são determinantes para aumentar a utilização de genéricos, sendo por isso essencial valorizar o seu papel no atual contexto, incluindo na resposta aos desafios da disponibilidade do medicamento.

Os dados são da Cientis e do contador online no ‘site’ da Equalmed, lançado em 2020 através de uma parceria entre as duas associações.

Segundo a Health Market Research, em 2025, foram dispensadas mais de 118 milhões de embalagens de genéricos nas farmácias, um crescimento de 3,05% face ao ano anterior.

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