Portugal

Do aumento da violação às prisões sobrelotadas: O essencial do RASI


O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) foi divulgado esta terça-feira com os números da criminalidade no país referentes ao ano que transitou, de 2025. Segundo o documento, o número de crimes registados aumentou 3,1% em relação ao ano anterior.

Contudo, o Sistema de Segurança Interna (SSI) notou que este aumento tem que ver com um “maior reforço de fiscalização das autoridades e uma maior proatividade policial”. É de realçar também que, apesar do número de crimes ter aumentado, houve uma diminuição nos considerados graves de 1,6%. 

Mas, afinal, quais são as principais conclusões deste relatório?

Violação atinge valor mais alto da última década

Ora, apesar de os crimes graves, no geral, terem diminuído, houve alguns que registaram aumentos – e até significativos. O que mais cresceu foi o roubo a ourivesarias (com mais 26,3% de casos), resistência às autoridades e coação sobre funcionário (mais 15,8%), extorsão (12,7%) e extorsão sexual (6,8%).

De seguida, surge o crime de violação, que manteve a sua trajetória crescente e acabou mesmo por atingir “o valor mais elevado da última década”.

De notar ainda o aumento de 10,1% do homicídio voluntário consumado e de 1,25% do crime de roubo, sequestro e tomada de reféns.

Casos de violência doméstica diminuíram (mas aumentaram em crianças)

De seguida, surge um dos principais crimes em Portugal, que mereceu também a atenção do primeiro-ministro aquando da apresentação do documento: a violência doméstica.

“2025 continuou a ser um ano em que tivemos muitas participações no âmbito da violência doméstica”, notou Luís Montenegro. “Tivemos 27 pessoas que perderam a vida: 21 mulheres, quatro homens e duas crianças”, detalhou.

Contudo, os números sofreram uma diminuição quando comparados ao ano anterior. Ao todo, houve 29.644 participações por violência doméstica, o que representa uma redução de 577 casos (1,9%). A maioria das situações (85%) continua a acontecer entre cônjuges ou companheiros.

Já a violência doméstica contra crianças, em específico, registou um aumento de 8,6%, tendo sido registados 1.122 casos em 2025.

O relatório referiu também que houve um aumento “expressivo” dos crimes de pornografia de menores relacionado “com a expansão das plataformas digitais e com as dinâmicas de partilha de conteúdos ilícitos”.

Houve menos crimes cometidos por jovens, mas radicalização aumentou

Ainda no tema dos jovens, o RASI notou que a criminalidade cometida por jovens diminuiu pela primeira vez desde a pandemia, em 2020, com 2.036 casos (menos 1,3%). Contudo, é de realçar que “se constata que muitos dos suspeitos” em crimes de ódio “são indivíduos jovens, alguns deles inimputáveis em razão da idade”.

Os jovens são atraídos com “promessas de pertença” a grupos, que levam os jovens, “na sua grande maioria vulneráveis, a uma distorção da realidade e a um afastamento dos valores (e limites) comummente aceites pela sociedade” e a uma “adesão a teorias da conspiração ou retóricas antissistema”.

O número de crimes de ódio, note-se, aumentou 6,7%, sendo registadas 449 participações.

As conclusões relacionadas com os jovens vão ao encontro de um outro dado que aponta que a presença de menores e jovens adultos em grupos online de extrema-direita que glorificam a violência também aumentou no ano passado. Os grupos são de “matriz aceleracionista e neonazi, de âmbito nacional ou transnacional, bem como em grupos satânicos, ‘incel’ e niilistas ou pós-ideológicos”.

Crime de branqueamento aumentou 42% devido a plataformas informáticas

O relatório indica também que os crimes de natureza económico-financeira também sofreram um aumento no ano que transitou, especialmente os de branqueamento, que aumentaram em 42%. Esta subida está relacionada com a crescente utilização de plataformas informáticas.

Aliás, os próprios crimes informáticos foram também alvo de um aumento de 13,4% com o de falsidade informática a registar o maior aumento (29,1%), seguido de acesso indevido ou ilegítimo (8,4%).

Crimes relacionados com terrorismo diminuíram

Já os crimes relacionados com organizações terroristas e terrorismo nacional e outras organizações terroristas e terrorismo internacional registaram uma diminuição de 29,4% em 2025. O RASI referiu ainda que, até 2025, Portugal não foi alvo de nenhum atentado terrorista de matriz islamita.

Quanto a situações de ciberespionagem e ciberataques, o documento notou que os principais alvos deste crime são os setores do Estado. Os países que mais praticam estes ataques são a Rússia, a Coreia do Norte, a China e o Irão.

Apreensão de haxixe aumentou 103%. Maioria dos detidos é português

Já quanto aos crimes de tráfico de estupefacientes, o RASI indicou que a quantidade de droga apreendida aumentou em 2025, com especial enfoque para o haxixe. No ano passado, as autoridades apreenderam 14.880 deste psicadélico, o que representou um aumento de 103%.

Dos detidos nos processos de crimes relacionados com tráfico de droga, num total de 5.115 detidos, a maioria são homens (4.333) e de nacionalidade portuguesa (3.880).

Prisões estão “pela primeira vez” sobrelotadas

Apesar da diminuição de crimes, o número de reclusos aumentou, sendo que “pela primeira vez, verifica-se uma situação de sobrelotação do sistema prisional”.

No total, estavam nas cadeias portuguesas 13.136 presos, incluindo 361 inimputáveis e mais de três mil presos preventivos.

Do número total de reclusos, a maioria tem nacionalidade portuguesa – o equivalente a 81,9% -, “tendo o valor relativo dos reclusos estrangeiros, que na última década havia caído 3,8%, subido, pelo terceiro ano consecutivo”.

O primeiro-ministro preside ao Conselho Superior de Segurança Interna e fala agora sobre os números da criminalidade em Portugal. Outra revelação feita pelo governante aos jornalista foi que o Diretor Nacional da Polícia Judiciária (PJ) será conhecido na próxima hora.

Natacha Nunes Costa | 12:56 – 31/03/2026



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