O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, destacou, esta quarta-feira, a “coragem” da Igreja Católica pela compreensão e partilha da dor das vítimas de abusos sexuais.
Rui Valério esteve na “Grande Entrevista” da RTP Notícias e, entre vários temas que marcam a atualidade mundial e nacional, falou dos abusos sexuais na Igreja Católica.
Questionado sobre se a credibilidade da Igreja foi afetada pelo escândalo dos abusos e se retirou alguma autoridade moral à instituição para expor a sua voz na sociedade, o Patriarca de Lisboa apontou que, “num primeiro momento, essa avaliação poderá fazer sentido”, tendo depois destacado “a coragem da Igreja que acompanhou, compreendeu e partilhou a dor das vítimas”.
Sobre o facto de do lado das vítimas não ser essa a perceção, destacou que durante o processo foram ouvidas muitas pessoas.
“Não foi feito por decreto, contudo houve um acompanhamento, um reconhecimento do sofrimentos das vítimas, houve uma compreensão, uma solidariedade que permanece, que presidente e tudo isso não se faz rapidamente. Tudo isso demora algum tempo”, afirmou.
Perguntado sobre se foi um antes e depois da Igreja portuguesa, sublinhou que “hoje pode-nos dar motivos para honra”, acrescentado que foram “norteados sempre pelos mais elevados princípios do Evangelho”, sublinhando a interpretação que era passada pelo Papa Francisco e a orientação dada.
“Tivemos coragem. Não estou a ver outra instituição com a coragem de estar numa sala a serem apontados com todos os dedos possíveis e imaginários. Sujeitamo-nos a isso com humildade, com grande sentido de solidariedade, com grande sentido de sacrifício, sabendo que por muito que nós pudéssemos sofrer não era nada comparado com as vítimas”, disse.
E acrescentou: “Com a cabeça erguida digo que sou cristão, católico. Sou bispo da Igreja Católica pela qual, renovo, dou a vida”.
Patriarca impedido de celebrar missa? “Bloqueio à liberdade religiosa”
Já sobre o Patriarca de Jerusalém ter sido impedido de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja de Santo Sepulcro, Rui Valério apontou que a primeira reação foi considerar “aquilo como um bloqueio ou atentado à liberdade religiosa”.
“Doeu-me particularmente o facto de que em nome da segurança se tivesse pura e simplesmente cancelado um dos direitos fundamentais a que o ser humano tem direito. Passados estes dois dias e tendo-me informado e pedido um esclarecimento, creio que se chegou ali a um bom entendimento e houve já um acordo referente à Páscoa”, referiu.
De recordar que a polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém de chegar à Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa do Domingo de Ramos, celebração católica que se realiza uma semana antes do Domingo de Páscoa, pela “primeira vez em séculos”.
“Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado […] e foram obrigados a voltar para trás”, indicou um comunicado conjunto do Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa.
