Para o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, João Marques, a Presidência Aberta de António José Seguro pela região afetada pela tempestade Kristin deve ser uma oportunidade para se falar do ordenamento da floresta, numa altura em que as autarquias do interior do distrito de Leiria estão a braços com muitas árvores caídas e caminhos florestais obstruídos, a poucos meses da época de maior risco de incêndio.
“A resiliência da floresta aos fogos florestais é um assunto que tem de estar em cima da mesa”, disse o autarca, que já recebeu indicação da possibilidade de passagem de Seguro pelo seu concelho.
Numa zona do interior do distrito de Leiria marcada pela baixa densidade populacional, João Marques espera que a visita do Presidente da República permita também falar do “despovoamento e de investimentos para pelo menos estancar esse cancro”.
“A continuar assim, qualquer dia, estes territórios deixam de ter viabilidade”, notou, defendendo desconcentração de serviços, melhores condições fiscais às empresas que se queiram instalar no território e menos burocracia.
O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Carlos Lopes, recordou que depois dos grandes incêndios de 2017, que afetaram gravemente a região, foi elaborado um plano de recuperação que, passados nove anos, ainda tem medidas que só agora estão a ser implementadas.
Nesse sentido, o autarca espera que o Presidente da República possa ter um papel em fiscalizar o cumprimento do novo plano anunciado pelo Governo, para que esses instrumentos “não sejam só siglas”.
Além da necessidade de medidas estruturais para assegurar a atração de empresas e promover a coesão territorial, Carlos Lopes aponta também para problemas relacionados com a tempestade Kristin que estão longe de estar resolvidos.
O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, assim como os restantes autarcas da região, alerta para a obstrução de imensos caminhos florestais e de um maior risco de incêndio no território.
A demora na reposição das telecomunicações, a morosidade na análise dos processos de reconstrução das casas e a falta de antecipação de verbas para os municípios são outras questões que acredita que deverão estar na agenda do Presidente da República, disse.
“Fizemos um reporte muito rigoroso e exaustivo dos danos nos equipamentos municipais, que ascende a 12 milhões de euros. Nós precisamos de ser rapidamente ressarcidos, porque estamos a desembolsar dinheiro que não temos — temos um orçamento de 18 milhões de euros” –, notou.
Também o presidente da Câmara de Castanheira de Pera, António Henriques, nota que os municípios começam a “ficar cansados pela falta de efetivação das medidas”, recordando também a falta de transformação depois de 2017.
“Precisamos de discriminação positiva para a economia, de empresas nos territórios e o Governo tem um papel determinante nesse aspeto”, disse.
Também António Henriques considera que é urgente “uma ação musculada” na limpeza da floresta antes do verão, sugerindo, tal como feito no passado recente por Figueiró dos Vinhos, a mobilização das Forças Armadas.
“Já não temos muito tempo”, alertou.
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