Manuel Nery Nina detém 25% do capital de uma empresa que atua na produção e comercialização de energia verde, configurando um potencial conflito de interesses.
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O presidente da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis tem 25 % no capital de uma empresa com interesses no setor. Manuel Nery Nina foi o responsável pela nomeação de um enfermeiro de 29 anos para coordenador da Estrutura, que entretanto se demitiu depois de a ministra do Ambiente se ter manifestado contra a escolha.
É o segundo caso com a Estrutura de Missão, criada para simplificar e acelerar o licenciamento de novos projetos de energias renováveis.
Manuel Nery Nina, o presidente da nova entidade que escolheu um enfermeiro de 29 anos para coordenador da Estrutura de Missão, é sócio de uma empresa que pode beneficiar diretamente das decisões da unidade que o próprio dirige.
O Presidente da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis é sócio da empresa UNLEASH, LDA, com 25 % do capital, confirmou a SIC na última informação publicada no portal de atos societários do Ministério da Justiça. Tem uma quota de 11.962,50 euros, para um capital total de 47.850 euros.
Uma das atividades declaradas da empresa é a produção, distribuição e comercialização de energia verde, o que configura eventual incompatibilidade com o cargo de Presidente da Estrutura de Missão para as Energias Renováveis.
Manuel Nery Nina foi quem escolheu para coordenador da estrutura o enfermeiro de 29 anos, sem currículo no setor, que se demitiu depois de a ministra do Ambiente ter considerado a escolha inaceitável.
O autor da nomeação ignorou o recado e manteve-se no cargo, com o público apoio do diretor-geral de Energia e Geologia, Paulo Carmona, que lhe elogiou as qualidades depois de uma simples conversa de 10 minutos.
Paulo Carmona reagiu já depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter promulgado o diploma que extingue a direção-geral que lidera, substituída por uma nova Agência de Geologia e Energia.
À beira de um eventual desemprego, Paulo Carmona disse à SIC que nada está previsto sobre o seu futuro depois da fusão, publicada esta sexta-feira em Diário da República.
