O presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo defendeu hoje que a visita do Presidente da República às zonas afetadas pelo mau tempo deve servir para chamar a atenção para a degradação estrutural do território rural da região.
Em declarações à Lusa, Luís Seabra sublinhou que é necessário distinguir os efeitos “inevitáveis” de fenómenos meteorológicos extremos da falta de manutenção das infraestruturas, que, afirmou, terá agravado os prejuízos registados.
“O fenómeno climático foi muito agressivo, mas há que separar aquilo que é o seu efeito direto do estado de degradação das infraestruturas, que potenciou os impactos negativos”, afirmou.
O Presidente da República (PR), António José Seguro, realiza a sua primeira Presidência Aberta na próxima semana, nas regiões mais afetadas pelas intempéries.
A iniciativa abrange os distritos de Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Santarém, “duramente atingidos pelas tempestades que causaram significativos danos humanos e materiais”, revelou a Presidência.
Para o dirigente associativo, a visita do chefe de Estado deve traduzir‑se numa atenção reforçada ao território rural, que considerou ser “de Portugal e não apenas dos agricultores”, defendendo uma reflexão sobre “a governança e a concretização de políticas no terreno”.
“É preciso olhar para trás para perceber o que correu mal, mas sobretudo garantir que a partir daqui tudo tem de ser diferente e que não se pode voltar a situações de abandono que conduzam a estes estragos”, sustentou.
Segundo o dirigente, a região atingiu um ponto de forte degradação, o que torna indispensável uma mudança de abordagem já em 2026, assente num “plano estratégico” e “numa governação adaptada aos desafios da recuperação e reconstrução”.
“Não se trata apenas de reparar danos de forma imediata, mas de preparar o futuro com uma estratégia clara, capaz de responder aos desafios do território rural”, afirmou.
Luís Seabra considerou também importante que o Presidente da República, além de contactar autarcas, ouça diretamente os agricultores e as associações representativas do setor, lembrando que a Associação de Agricultores do Ribatejo assinala este ano 50 anos de atividade.
“A associação tem uma longa história e um conhecimento profundo da realidade agrícola da região. Teríamos todo o gosto em receber o senhor Presidente e partilhar informação que ajude a enquadrar a diversidade de situações existentes no vale do Tejo e noutras zonas do Ribatejo”, afirmou, acrescentando que “quem está no terreno todos os dias é quem melhor conhece as necessidades, os impactos e a urgência de planos estratégicos”.
O responsável apontou ainda como problema estrutural a falta de planos estratégicos para a gestão e manutenção de infraestruturas, defendendo políticas com “horizontes de médio e longo prazo”.
Ainda sobre o significado da visita presidencial à Lezíria do Tejo e ao Médio Tejo, Luís Seabra considerou tratar‑se de um sinal positivo, acreditando que o Presidente da República pretende ter uma “intervenção efetiva”.
“A visita é feita com intenção de ser útil. Ouvir vários setores, incluindo o privado, é fundamental para ter uma visão global do território e equilibrar as diferentes perspetivas”, concluiu.
