No verão do ano passado, foi encontrado um homem morto e decapitado numa rua em Lisboa. O suspeito, de nacionalidade estrangeira e estudante de doutoramento de Engenharia Civil, acabaria por entregar a cabeça da vítima um dia e meio depois no Hospital de São José, ao fim de três tentativas.
A cronologia do crime, recorde-se, terá tido início na noite de 29 para 30 de julho, quando o suspeito, de 29 anos e de nacionalidade nigeriana, conheceu a vítima. Segundo as autoridades, trata-se também de um “cidadão estrangeiro, de 34 anos, em situação regular no país”.
De acordo com uma notícia do jornal Público, o suspeito está a aguardar julgamento por homicídio no hospital-prisão São João de Deus, em Caxias, uma vez que as perícias forenses concluíram que padece de doença mental e, por isso, consideraram haver risco elevado de voltar a ter comportamentos violentos.
O mesmo meio avança, no entanto, com novos dados sobre este crime. O suspeito tinha chegado a Portugal cinco meses antes do sucedido para frequentar o Instituto Superior Técnico e quando tinha insónias costumava sair de casa e deambular pela cidade.
Numa dessas noites, por volta das 03h00, conheceu Mussa Baldé, guineense de 35 anos, que trabalhava na construção civil. Foi na Praça do Martim Moniz que vítima e suspeito se conheceram, depois de Baldé ter metido conversa com o estudante, tendo-o convidado para sair à noite.
Já numa rua escondida, o Pátio do Salema, o guineense ter-lhe-á mostrado o pénis e terá dito: “Aqui não podemos fazer isto, está aqui uma mulher” sem-abrigo. No entanto, momentos depois, Mussa Baldé terá tentado despir o estudante, de nome Jonathan Uno, o que o deixou assustado.
E terá sido a partir deste momento que as coisas se descontrolaram. Uno sacou de uma faca de cozinha que costumava transportar quando saía à noite e atacou o outro homem na zona do pescoço. As agressões terão continuado, com o estudante a esfaquear a vítima na zona do peito.
Segundo o Ministério Público (MP), o suspeito desferiu “um número não concretamente apurado de golpes”.
De acordo com o jornal Público, após o crime, o estudante esperou que o metro reabrisse e voltou para casa, onde tomou banho, trocou de roupa, lavou o despojo e colocou-o no congelador. Aos inspetores, terá dito que foi a primeira vez que matou alguém e que se sentia mal com isso.
Pelas 09h00, o suspeito foi até ao centro de saúde da Alameda, onde pediu uma ambulância para transportar parte de um corpo. Ter-lhe-ão dito que ali não faziam esse tipo de serviço e disseram-lhe para se deslocar até ao Hospital de São José.
Assim, pelas 11h30, entrou nesta unidade hospitalar, segundo as câmaras de videovigilância. No entanto, não conseguiu entregar a cabeça. Lá, disseram-lhe para ligar para a linha da Saúde24.
O estudante nigeriano regressou a casa, onde tinha deixado o telemóvel, para fazer a chamada, e voltou a dirigir-se ao Hospital de São José. Tirou a senha e pagou, inclusive, a taxa moderadora.
Por volta das 15h00, já na sala de triagem, apresentou a cabeça da vítima, enrolada em papel de alumínio dentro da mochila, tendo depois sido detido.
Posteriormente, a mãe do suspeito acabaria por entregar comprovativos de que o estudante, quando morava no seu país natal, em 2024, tinha sido diagnosticado com esquizofrenia paranóide, com ideação suicida e homicida. Três meses depois, foi-lhe dada alta, mas com recomendação de tratamento ambulatório.
Ainda de acordo com o mesmo meio, uma sem-abrigo que testemunhou garantiu que os dois homens se conheciam, apesar de não serem amigos, dando ainda conta de que a vítima, que era casado e tinha filhos na Guiné, costumava recorrer às carrinhas de distribuição de comida. Já o estudante de engenharia comprava haxixe no Martim Moniz e oferecia comida aos mais necessitados.
A sem-abrigo terá ainda referido que achava o nigeriano vaidoso, mas estranho, tendo em conta os seus passeios naquela zona à noite.
O Público avançou também que, na prisão-hospital, o suspeito é visto a falar sozinho. Numa consulta de psicologia, terá dito que a vítima tinha superpoderes e que podia fazer mal às pessoas, assegurando que o governo norte-americano o poderia confirmar.
