Um menino de oito anos, com insuficiência renal grave, está a recuperar bem após um transplante feito no início do ano, em Atenas, depois de o pai ter atravessado o Mediterrâneo em busca de um tratamento.
Loading…
Sem meios para pagar a diálise no Líbano, Abdulaziz Aldarwish decidiu abandonar o país com o filho. Com cerca de 5.000 euros reunidos entre poupanças e empréstimos familiares, embarcaram numa viagem que deveria durar apenas algumas horas, mas que prolongou-se por uma semana.
A viagem ficou marcada pela falta de alimentos, pela escassez de água e por tempestades no mar, que colocaram pai e filho em risco de vida.
“Não esperava que o meu filho sobrevivesse… sempre que vinha uma onda, pensávamos que íamos morrer, mas no final a morte não era o nosso destino”, afirmou Abdulaziz Aldarwish.
Após serem resgatados por um navio mercante, chegaram ao Chipre e foram encaminhados para a Grécia. Equipas médicas de vários países acompanharam o caso e realizaram o transplante no Centro Nacional de Transplantes Onassis, com o pai como dador.
Os médicos sublinham que este caso demonstra o impacto da colaboração internacional na área da saúde, sobretudo em situações críticas envolvendo crianças.
“O transplante ultrapassa todas as barreiras, fronteiras, países, raças e religiões”, afirmou a médica Smaragdi Marinaki, responsável pelo departamento de nefrologia do Hospital Laiko.
Após meses de recuperação, Yahia encontra-se estável. O menino deixou a diálise e regressou à escola, retomando a rotina e a infância interrompida pela doença.
“Depois da operação, deixei a diálise, tomo menos medicamentos, como e bebo o que quero, vivo normalmente e vou à escola”, afirmou Yahia Aldarwish.
