Arrancou esta semana a reconstrução do canal de rega do Mondego destruído pelas cheias de fevereiro. Os agricultores acreditam que a água vai chegar a tempo da campanha de rega, mas queixam-se das dificuldades para retirar a areia arrastada durante as cheias.
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Ainda a água das cheias estava a baixar, já se ouvia a promessa de que o canal destruído voltaria a funcionar a tempo da campanha de rega deste ano. Com o prazo a aproximar-se, a estrutura começa finalmente a tomar forma.
“Os agricultores não se vão agarrar ao dia 1 de maio mas não podem esticar para lá de 15 de maio. Cada agricultor está a fazer mais de dois mil euros por hectare de investimento só na instalação de cultura, se multiplicarmos pelos 12 mil hectares estamos a falar de 24 milhões de investimento que os agricultores estão a pôr na terra”, alerta Pedro Pimenta, presidente da Cooperativa de Agrícola de Coimbra.
Para que o investimento não se perca em terra seca é preciso muita água a correr pelos campos do Mondego. A reconstrução do canal é acelerada com recurso a peças pré-fabricadas.
“Estamos um pouco apreensivos sobre se há garantias nessa zona com a mesma capacidade de transporte de água durante todo o resto do canal”, assume José Pinto da Costa, presidente da Associação de Beneficiários do Baixo Mondego.
Ao mesmo tempo decorrem também trabalhos no gasoduto também afetado pela violência da água, que saiu do Mondego depois do rebentamento do dique exatamente por baixo da A1.
“Das três vezes, duas foi neste local. Vamos adaptar esta reabilitação com betão, para torná-la mais resistente”, José Pimenta Machado, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
No canal ainda não há água para a agricultura, mas com recurso a bombagem e à colocação de uma conduta no local de uma segunda rotura, já corre água para alimentar a indústria do papel na Figueira da Foz.
Aos agricultores resta esperar e acreditar que também esta segunda rutura do canal fica reparada a tempo do início da campanha de rega.
A APA garante que os prazos vão ser cumpridos e até admite que a reparação possa ser assumida pela Navigator.
“É verdade que na zona que colapsou, nessa segunda rutura, a Navigator, manifestou a sua disponibilidade para reabilitarem o dique, (…) mas ainda não há nenhuma decisão tomada sobre isso”, adiantou José Pimenta Machado.
A ministra Maria da Graça Carvalho até pode interceder mas no vale do Mondego, o ministro da Agricultura não se consegue livrar do azedume de autarcas e agora também dos agricultores.
“Mesmo que tenhamos condições para avançar e possamos integrar esses 50 hectares, parece-me que para a campanha de 2026 estão seriamente comprometidos”, teme José Pinto da Costa.
Pedro Pimenta avisa que o trabalho de remoção da areia “não é tão rápido de executar como a construção do canal. (…) A solução ideal seria o Ministério da Agricultura assumir e fazer a limpeza, com a mesma diligência que o Ministério do Ambiente teve. Está a deixar-nos um bocadinho azedos”.
Por agora, chega o dinheiro do ministério do Ambiente: 35 milhões de euros em resposta aos estragos das tempestades deste ano.
