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De Caracas à liderança da Powerdot na Península Ibérica, Laura Gonçalves construiu uma carreira global feita de decisões difíceis e caminhos inesperados em empresas como a McKinsey, a Uber, a Amazon e a Australia Post. O desconforto, garante, é o seu motor de crescimento
Lidera a Powerdot na Península Ibérica, numa fase decisiva para a empresa e para o setor da mobilidade elétrica, mas o percurso de carreira de Laura Gonçalves tem como pilares a diversidade. Nascida em Caracas, com raízes portuguesas — neta de avós madeirenses — cresceu num ambiente internacional que viria a marcar todo o seu percurso profissional. Aos 18 anos saiu de casa e iniciou um caminho que a levou a viver e trabalhar em vários países, entre a Europa e a Austrália. É dela, atualmente, a responsabilidade de integrar Portugal e Espanha como uma única operação da empresa de mobilidade, acreditando que “uma equipa ibérica, com uma única liderança, acaba por trazer eficiência e diversidade a ambos os lados”.
Quis ser arquiteta e chegou a sonhar com uma carreira no marketing de luxo, apesar de ter recusado uma oferta de trabalho da Louis Vuitton, em Miami. Acabou por seguir Gestão e iniciou carreira na McKinsey, onde aprendeu a “partir problemas grandes em desafios pequeninos”. Do currículo de Laura Gonçalves fazem parte empresas como a Uber, a Amazon e a Australia Post.
A primeira foi uma das experiências mais transformadoras do seu percurso: “A Uber abriu-me as portas para tudo o que veio depois na minha vida profissional”. Pelo caminho, a atual diretora-geral da Powerdot Ibéria tomou decisões difíceis, como a de se mudar para a Austrália sem garantias. Enfrentou momentos de incerteza: “Ninguém me queria sequer entrevistar e eu tinha deixado o meu lugar de sonho em Portugal”.
Matilde Fieschi
Na Powerdot, onde tem liderado a operação em Espanha, assumindo recentemente a responsabilidade ibérica, Laura destacou-se pela capacidade de execução e crescimento, num setor ainda em consolidação. “Sou uma pessoa bastante analítica, que precisa de dados para tomar decisões”, nota, reconhecendo que “é contraproducente querer ter 100% de certeza para decidir”. Uma lição que a passagem pela Amazon lhe deixou de herança.
Para a gestora, a chave está em ajustar o risco ao impacto: “Se a decisão é reversível, podemos não ter tanta certeza. Quanto mais irreversível é a decisão, menor tem de ser o grau de risco”. A sua visão de liderança afasta-se do modelo tradicional centrado na figura do líder. “Não é o maestro que faz a música, é quem toca o instrumento. Como CEO só me cabe criar o ritmo”, afirma a líder que vê no desconforto um motor de crescimento. “Se não estou desconfortável não estou a evoluir e a empresa também não”, vinca.
Cátia Mateus podcast O CEO é o limite
O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas a jornalista Cátia Mateus mostra-lhe quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo os gestores portugueses que marcaram o passado, os que dirigem a atualidade e os que prometem moldar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.
Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar connosco, um líder que marcou o seu percurso profissional, dúvidas de carreira ou temas que gostasse de ver tratados neste podcast, envie-nos um e-mail para oceoeolimite@expresso.impresa.pt. Queremos saber de si.
