França, Alemanha, Itália, Polónia e Reino Unido querem que qualquer acordo de paz entre Kiev e Moscovo traga garantias de segurança robustas para os ucranianos. Zelensky acredita que ainda há hipóteses de acabar com a guerra com dignidade.
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Quatro anos depois da invasão russa da Ucrânia, o ambiente de segurança no continente Europeu é marcado por incertezas. A perceção de um aliado ultramarino poderá já não ser confiável e, a isso, soma-se a persistência da ambição russa de reconstruir um grande império.
Um conflito de alta intensidade na Europa deixou de ser encarado como um cenário improvável e o velho continente prepara-se para essa eventualidade.
Num cenário fictício debatido em meios estratégicos, a França assume o comando de uma coligação internacional destinada a defender um país aliado ameaçado por um Estado hostil e expansionista no Leste. Mais de 20 países participaram nesta força conjunta.
“Temos tropas contra nós para garantir que não se trata apenas de um cenário, mas sim de uma verdadeira campanha militar”, disse Arnaud Bolelli, comandante de Tonnerre.
A mobilização militar já é visível no terreno. Na Alemanha decorre o exercício Steadfast Dart 2026, as maiores manobras da NATO previstas para este ano, envolvendo cerca de 10 mil militares de 13 países.
O rufar dos tambores pressente-se sobretudo a Leste. Na Polónia, dos cinco países que mais investiram na defesa anunciaram o desenvolvimento em conjunto de armas não tripuladas de baixo custo.
“O nosso primeiro projeto utilizará tecnologias de ponta, aprendendo as lições do campo de batalha na Ucrânia e, numa altura de ameaças crescentes, são as ações, e não as palavras, que vão dissuadir Putin”, disse Luke Pollard, ministro da indústria de defesa britânico.
A Polónia saiu, esta sexta-feira, da Convenção de Otava sobre a proibição de minas antipessoais. Varsóvia justifica a decisão com a degradação da segurança no flanco leste da NATO e junta-se à Estónia, Lituânia, Letónia e Finlândia que estão a erguer uma barreira defensiva, desde o Báltico até ao Ártico.
A Rússia, que usa de forma extensiva e contínua minas pessoais na Ucrânia, fala num potencial agravamento das tensões na Europa.
Em Kiev, as atenções estão na próxima ronda trilateral de negociações, prevista para decorrer novamente em Genebra nos próximos dias.
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou acreditar que existirem oportunidades reais para um desfecho com dignidade, mas sublinhou que continua por encontrar uma solução construtiva para a questão territorial do Donbass..
“Putin só vai acabar com esta guerra quando os custos suplantam os benefícios. E é esse ponto que temos de chegar”, afirmou Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia.
