Um novo estudo internacional da Deco Proteste demonstra que Portugal está na lista dos países onde mais se sente os custos com a saúde e onde se adiam mais cuidados por falta de dinheiro. Em 2025, os portugueses gastaram em média 1.397 euros em saúde e 31% teve dificuldades em pagar despesas médicas.
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O estudo, divulgado esta segunda-feira, teve como base um inquérito, realizado entre junho e setembro de 2025, a 1.079 lares portugueses, e com resultados representativos da população entre os 18 e os 74 anos.
As despesas mais frequentes e com maior impacto financeiro são os medicamentos com receita médica, referidos por 93% dos inquiridos, que representam um gasto médio anual de 415 euros, seguidos dos medicamentos sem receita, (mencionados por 78%), com uma média de 201 euros gastos mensalmente.
Para além disto, foram relatadas as despesas com óculos graduados ou lentes de contacto (48%) representam um encargo significativo, com uma média de 428 euros, assim como os cuidados psicológicos e psiquiátricos, cujo custo médio chega aos 463 euros.
Tratamentos dentários, óculos e consultas médicas são os mais adiados
Entre os países analisados pelo estudo realizado em parceria com a Euroconsumers em quatro países da Europa: Portugal, Bélgica, Itália e Espanha, Portugal é o país com maior percentagem (31%) de adiamentos de cuidados de saúde por falta de condições económicas.
Os tratamentos dentários, aquisição de óculos ou cuidados oftalmológicos, bem como medicamentos e consultas médicas são alguns dos tratamentos mais adiados pelos portugueses, que, face à falta de condições financeiras, são obrigados a priorizar outras despesas em detrimento dos gastos na saúde, considera a Deco.
Nos outros países europeus, a percentagem de adiamento de tratamentos por falta de dinheiro desce para 27% em Itália, 22% na Bélgica e 16% em Espanha.
SNS não dá resposta a todas as necessidades
O mesmo estudo internacional indica que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não cobre todas as necessidades médicas dos utentes e que, com o aumento dos tempos de espera, mais de metade dos portugueses já recorre a seguros ou planos de saúde como alternativa ao SNS.
“Embora o Serviço Nacional de Saúde seja universal, o estudo evidencia que não cobre a totalidade das necessidades, levando os consumidores a suportar despesas significativas com medicamentos, exames e cuidados especializados”, lê-se no comunicado de imprensa da Deco Proteste.
“Os resultados reforçam uma realidade preocupante: em Portugal, o acesso à saúde continua fortemente condicionado pela capacidade financeira. Para a Deco Proteste, é essencial reforçar a resposta pública, melhorar o acesso e garantir que ninguém tenha de escolher entre cuidar da saúde ou fazer face às restantes despesas do dia a dia”, lê-se ainda no mesmo comunicado.
