As investigações centram-se na alegada “má conduta em cargo público” por ter fornecido a Epstein informações governamentais confidenciais enquanto trabalhava como enviado especial. O ex-príncipe mantém-se sob investigação, o que significa que não foi acusado nem ilibado.
Steve Parsons
A polícia britânica anunciou esta sexta-feira que começou a contactar todos os guarda-costas que trabalharam para o ex-príncipe André, para recolher informações no âmbito da investigação sobre as suas alegadas ligações ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
“Foi-lhes pedido que considerem cuidadosamente se algo que viram ou ouviram durante esse período de serviço pode ser relevante para as nossas investigações em curso e que partilhem qualquer informação que nos possa auxiliar”, disse a Polícia Metropolitana de Londres em comunicado.
A polícia especificou estar a contactar tanto os atuais como os antigos guarda-costas do irmão do rei Carlos III.
Afirmou também estar “consciente da ampla cobertura mediática do caso”, embora “até à data, nenhuma nova acusação criminal tenha sido formalizada” por “crimes sexuais”.
“Continuamos a instar qualquer pessoa com informações novas ou relevantes a apresentar-se. Todas as alegações serão levadas a sério e, como em qualquer caso, todas as informações recebidas serão avaliadas e investigadas quando apropriado”, concluiu.
O ex-príncipe mantém-se sob investigação, o que significa que não foi acusado nem ilibado.
As autoridades realizaram esta sexta-feira uma busca na Royal Lodge, antiga residência do Duque de York. No dia anterior, também revistaram uma casa de campo em Norfolk. Ambas pertencem à família real britânica.
Investigações por alegada “má conduta em cargo público”
As investigações centram-se na alegada “má conduta em cargo público” por alegadamente ter fornecido a Epstein informações governamentais confidenciais enquanto trabalhava como enviado especial para o comércio, entre 2001 e 2011.
As investigações incluem também o seu alegado envolvimento num caso de tráfico humano.
A detenção coincidiu com o seu 66º aniversário, semanas após a Casa Real ter iniciado os procedimentos formais para destituir André dos seus títulos.
O membro da família real tinha sido despejado da sua residência em Windsor, a oeste de Londres.
O próprio ex-príncipe anunciou em outubro de 2025 que renunciaria aos seus títulos, incluindo o de Duque de York.
Rei Carlos III defende que “a lei deve seguir o seu curso”
O rei Carlos III manifestou “profunda preocupação” com a situação do irmão, mas declarou que “a lei deve seguir o seu curso”, garantindo apoio e cooperação total com as autoridades.
O ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou ter enviado uma carta de cinco páginas a várias forças policiais com novas informações extraídas dos ficheiros de Epstein, defendendo justiça para as vítimas menores de idade.
A controvérsia que envolve o ex-príncipe André intensificou-se depois da divulgação, pelo Departamento de Justiça norte-americano, de mensagens eletrónicas que alegadamente indicam a partilha de documentos confidenciais com Epstein.
Que ligações tem o ex-príncipe André com o caso Epstein?
As mais de três milhões de páginas de documentos do caso Epstein divulgadas pelo Departamento de Justiça norte-americano no final de janeiro incluem fotografias incriminatórias do ex-príncipe, que numa delas surge agachado de gatas sobre uma mulher não identificada deitada no chão, no que parece ser a mansão de Epstein em Nova Iorque.
Outras fotos mostram-no num jantar privado em Pequim, em 2010, com uma modelo chinesa e parceiros de Epstein, apesar das suas alegações de que estava a distanciar-se de Epstein durante esse período.
Os ficheiros minam significativamente a alegação de Andrew, feita em 2019 ao programa Newsnight da BBC, de que tinha cortado relações com Epstein após a condenação deste em 2008 por crimes sexuais.
