O projeto SAFEWATER pretende testar a aplicação de um tratamento quaternário aos efluentes da ETAR de Castelo Branco para permitir a reutilização da água na rega agrícola na área do Parque Natural do Tejo Internacional, com foco na gestão sustentável da água e na adaptação do setor agrícola à escassez hídrica.
A iniciativa foi apresentada no passado dia 23 de março, no CEI – Centro de Empresas Inovadoras de Castelo Branco.
 
Financiado pela Fundação “la Caixa” e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o projeto é liderado pela Universidade de Coimbra, em parceria com a InovCluster, os Serviços Municipalizados de Castelo Branco e o Grupo ADPValor, com a cooperação do Parque Natural do Tejo Internacional.
Segundo o comunicado de imprensa, o SAFEWATER quer desenvolver um sistema de tratamento de efluentes capaz de garantir a segurança da água reutilizada, assegurando a qualidade química e da comunidade microbiana do solo.
 
O projeto enquadra-se no domínio dos parques e reservas naturais e de outros espaços com relevância ambiental, visando preservar a biodiversidade através da reutilização sustentável de água proveniente de efluentes e salvaguardar a saúde dos solos para assegurar uma agricultura segura e sustentável.
Entre os principais objetivos está a avaliação do impacto de contaminantes de preocupação emergente e de agentes patogénicos nos campos agrícolas, numa lógica de reforço da resiliência do setor.
 
O projeto prevê o desenvolvimento de tecnologias, materiais e equipamentos para remover compostos farmacêuticos de acordo com a Diretiva 2024/3019, assim como bactérias e vírus que possam estar presentes nos efluentes e nas lamas de ETAR, com o objetivo de proteger a saúde dos solos e a cadeia global da água. De acordo com a informação disponibilizada, os objetivos gerais do SAFEWATER contribuem para o plano de ação Poluição Zero da União Europeia (UE).
O plano de trabalho inclui a avaliação da presença de compostos farmacêuticos, pesticidas e agentes patogénicos, bem como a análise do impacto destes poluentes na água, nas lamas e nos solos. Está também prevista a proposta de tecnologias de tratamento de água direcionadas para a remoção destes contaminantes, seguida da monitorização da qualidade da água, das lamas e da saúde dos solos.
 
Outra das frentes do projeto passa pelo mapeamento e seleção de zonas do Parque Natural do Tejo Internacional sensíveis às alterações climáticas. Esta componente inclui a caracterização e amostragem dos locais selecionados, a análise dos processos de tratamento de águas residuais antes e após a ETAR, a identificação dos beneficiários das águas tratadas e das lamas, o registo dos agricultores participantes e a caracterização dos solos das explorações.
O SAFEWATER prevê ainda a identificação das fontes de poluição na origem, com monitorização trimestral dos efluentes de unidades hospitalares, bem como a avaliação do impacto da reutilização de efluentes e lamas nos solos. Para isso, serão feitas caracterizações químicas, físicas e biológicas dos influentes hospitalares, dos efluentes e das lamas da ETAR selecionada, além de ensaios em mesocosmos com solo do Parque Natural do Tejo Internacional para comparar as soluções atualmente utilizadas com a solução a desenvolver no projeto.
Na vertente tecnológica, está prevista a validação de uma solução inovadora de tratamento quaternário de efluentes, com recurso à aplicação experimental de materiais fotocatalíticos ativos e estáveis para melhorar a degradação dos contaminantes. O objetivo é desenvolver um sistema integrado de tratamento de águas residuais, quer hospitalares quer provenientes de ETAR, para obtenção de água reutilizável para rega agrícola.
O projeto inclui também uma componente de disseminação, comunicação e exploração de resultados, dirigida a agricultores, associados dos parques naturais, sociedade civil, universidades, gestores da água, indústria e reguladores, com o objetivo de divulgar o conhecimento gerado e alertar para o impacto da presença destes poluentes na água e nos solos.
