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O Presidente da República, António José Seguro, pediu esta terça-feira mais planeamento dos recursos e competências para responder a catástrofes como o mau tempo, considerando que os portugueses são “muito bons no improviso”, mas precisam de melhor organização.
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António José Seguro dedica esta terça-feira o segundo dia da sua Presidência aberta ao distrito de Santarém, tendo começado no concelho de Ourém com uma visita a uma casa fortemente afetada pelo mau tempo de fevereiro e, depois, seguido para o Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere, acompanhado pelo presidente da câmara, Bruno Gomes.
O autarca falou da falta de planeamento que há no país e, na conversa, o Presidente da República respondeu prontamente que concordava.
“Planeamento e organização. Ajuda porque toda a gente sabe o que é que deve fazer em cada momento. Nós somos muito bons no improviso. Precisamos de ser melhores na organização das nossas competências e dos nossos recursos”, pediu Seguro.
Na perspetiva do Presidente da República, “não há milagres, mas pode o Estado responder de uma forma mais eficiente e mais eficaz”.
Seguro quis ainda saber se aquela unidade de saúde tinha algum gerador ou se está previsto que venha a ter nas obras de requalificação.
“Uma das aprendizagens desta infeliz catástrofe é precisamente o de garantir que unidades que são críticas em termos de apoio à população tenham essa capacidade de manter o fornecimento de energia elétrica aos seus equipamentos e aos seus técnicos através de geradores. Isso era crucial”, defendeu o chefe de Estado.
O dia da caravana tinha começado com uma visita a uma habitação na localidade da Sorieira, na freguesia de Seiça, no concelho de Ourém, onde o mau tempo fez ruir uma parede e levou parte do telhado.
Elsi Silva, com dois filhos menores, é a proprietária da casa visitada, onde vivia há quatro anos e que teve de ser realojada.
À porta, outras mulheres partilharam com o chefe de Estado a tristeza de verem as suas habitações afetadas pelo mau tempo e de terem sido obrigadas a aceitar realojamento.
Seguro não ficou indiferente à emoção de Maria de Sousa, de 70 anos, que passou a viver com o marido e o filho numa habitação cedida pela Câmara Municipal, mas que espera regressar rapidamente a sua casa.
“Tem de ir à Câmara, falar aos serviços sociais, que estão a acompanhar esta situação e perguntar como é que está a sua situação. Vai lá à Câmara e diz eu venho saber como é que está a situação, para se inteirar”, aconselhou.
Nesta ocasião, o Presidente da República pediu ainda à mulher que continuasse a ter esperança, sublinhando que a Câmara de Ourém tem estado a ajudar.
“Há cerca de 17 casas aqui no conselho de Ourém que precisam de ser reconstruídas ou totalmente construídas de novo. Portanto, o senhor presidente da Câmara está atento a isso”, acrescentou.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, a passagem da tempestade Kristin deixou mais de 10 mil casas do seu concelho sem telhas, que obrigaram ao realojamento de cerca de 300 pessoas.
“Três habitações ficaram completamente irrecuperáveis”, acrescentou.
Atualmente, dez pessoas continuam realojadas em apartamentos da autarquia e 27 agregados familiares permanecem em casas de familiares ou regressaram às suas habitações, embora ainda não estejam completamente recuperadas.
O autarca informou ainda que no seu concelho foram entregues cerca de 3.500 participações para formulários de apoio à recuperação de casas até 20 mil euros, “tendo já sido pagos 500”.
“Os outros estão em tramitação. Tivemos 113 indeferidos, mas estão outra vez a ser analisados”, indicou.
Com Lusa
