Agronegócio

Incêndios: Município da Batalha afetado pelo mau tempo aprova plano de limpeza da floresta


O Município da Batalha aprovou um plano de limpeza da floresta e redução do risco de incêndios na sequência do mau tempo, que aumentou significativamente a carga combustível e tornou o concelho vulnerável a fogos, foi hoje divulgado.

Numa nota de imprensa, aquela autarquia do distrito de Leiria explicou que o Plano Municipal de Prevenção, Limpeza e Redução do Risco de Incêndio Rural é uma “resposta ao aumento significativo da carga combustível resultante da tempestade Kristin, que deixou o território particularmente vulnerável à ocorrência de incêndios”.

“O plano prevê um conjunto de intervenções prioritárias, como a desobstrução de caminhos florestais, remoção de material lenhoso, gestão de biomassa e reforço da fiscalização da limpeza de terrenos, numa lógica de atuação articulada com as juntas de freguesia, bombeiros e demais entidades locais”, adiantou.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do município, André Sousa, afirmou que a depressão Kristin, em 28 de janeiro, provocou a queda de “centenas de árvores” e “muitas estão caídas nos caminhos florestais e nos próprios terrenos”, considerando que a autarquia precisava de ter um plano para “fazer algo antes da época de incêndios”.

O plano contempla “a implementação de uma AIGP [Área Integrada de Gestão da Paisagem] proposta pelo Governo, que tem como principal objetivo a desobstrução de caminhos florestais, a remoção das árvores tombadas e a gestão da biomassa”.

“Vamos tentar implementar com empresas parceiras, com empresas de construção, porque as empresas florestais não estão disponíveis, vamos tentar encontrar outras soluções também com os bombeiros”, disse.

As AIGP são “uma abordagem territorial integrada para dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem e de aumento de área florestal gerida a uma escala que promova a resiliência aos incêndios, a valorização do capital natural e a promoção da economia rural”, segundo a Direção-Geral do Território.

Ainda segundo o autarca, o plano “contempla também a execução de fogo controlado”, tendo a Câmara já feito “um teste há duas semanas”.

“Vamos fazer uma nova candidatura ao ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], para aumentar o número de ações de fogo controlado”, referiu.

Outra área é o reforço da “fiscalização municipal da gestão de combustível”.

“Estamos já a enviar bastantes ofícios, sobretudo para aquelas pessoas que são repetentes na não limpeza do terreno, para que possam fazer o cumprimento das faixas de gestão de combustível, sobretudo ao pé das habitações e dos aglomerados populacionais”, esclareceu.

Segundo André Sousa, outra vertente passa pela comunicação à população, com apelos para não adotar comportamentos de risco.

“É ilusório pensar que vamos chegar a junho, a maio ou julho com a madeira toda retirada. É impossível, não há capacidade no terreno, não há mão humana dos serviços municipais, de empresas no mercado”, alertou.

O presidente da Câmara destacou que o objetivo com “este plano é ter, pelo menos, os caminhos florestais desimpedidos”, para que os bombeiros, em caso de incêndio, possam trabalhar.

“Isso é o nosso principal objetivo. Se depois conseguimos tirar alguma madeira dos terrenos, conforme está definido, a remoção das árvores tombadas naqueles terrenos que não forem limpos pelos proprietários, avançaremos. Mas a principal prioridade com este plano é limpar os caminhos florestais e depois vamos a essa segunda fase de retirar a lenha”, acrescentou.

De acordo com informação enviada à Lusa, o plano visa, entre outros aspetos, reduzir rapidamente a carga combustível resultante do mau tempo, reabrir e manter transitável a rede viária florestal, reforçar a vigilância, a deteção e a dissuasão em período crítico de incêndios e “envolver juntas de freguesia, bombeiros, proprietários e população num esforço coordenado de prevenção”.



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