Em véspera da privatização, a TAP fechou 2025 em terreno positivo, com o lucro a fixar-se nos 4,1 milhões de euros, um recuo face aos 53,7 milhões de euros registados em 2024. Um magro lucro penalizado, diz a empresa, por ajustes no IRC e por uma disrupção da cadeia de abastecimento com forte impacto nos custos da manutenção.
Armando Franca
A companhia liderada por Luís Rodrigues destaca o facto de a TAP ter apresentado lucro pelo quarto ano consecutivo e apesar de estar debaixo de um plano de reestruturação, que lhe limitou o crescimento. Para este ano, apesar da incerteza, a companhia antecipa que a procura deverá permitir que os preços dos bilhetes compensem a subida dos custos dos combustíveis.
As receitas e o número de passageiros cresceram modestamente no ano passado face a 2024. O aumento nas receitas operacionais foi de 1,2% para 4,3 mil milhões – impulsionadas sobretudo pelas receitas de passagens (+0,8%) e pelo negócio de manutenção (+10,7%) – e de 3,4% para 16,7 milhões no número dos passageiros. O EBITDA (meios libertos) recorrente da TAP fixou-se nos 742,9 milhões de euros, com uma margem de 17%.
O último trimestre de 2025 foi difícil para a TAP, que acabou por apresentar nos últimos três meses do ano um resultado líquido negativo de 51 milhões de euros. Diz a empresa em comunicado que as contas do último trimestre foram “substancialmente impactadas por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de 42 milhões de euros, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa” do referido imposto. Excluindo este efeito, o resultado líquido teria sido de menos 9,1 milhões. A TAP sublinha que excluindo efeito extraordinário de atualização de IRC, o ano de 2025 teria terminado com um lucro de 46 milhões de euros.
“Em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia. Este desempenho suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo”, salienta Luís Rodrigues, citado em comunicado.
Apesar do contexto de grande incerteza, e da subida dos combustíveis, a empresa está mais optimista face a 2026, ano em que praticamente já não sentirá as limitações do plano de reestruturação, que a impediu de aumentar a frota, e lhe cortou 18 slots em Lisboa. A TAP terminou 2025 com 99 aviões e já fez crescer a frota para 101 este ano.
Houve um crescimento da capacidade e da ocupação, mas a evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados, nomeadamente o Brasil, com efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano.
Custos de tráfego e de pessoal são os que mais sobem
Os custos operacionais recorrentes cresceram ligeiramente mais que as receitas, atingiram os 4.070 milhões em 2025, um aumento de 3,6% face a 2024. São os aumentos nos custos de tráfego (+6,7%), pessoal (+7,9%) os que mais sobem, uma fatura que é parcialmente compensada pela redução dos custos com combustível, que caíram 5,4%. Em 2026, as contas da TAP serão afetadas em sentido contrário.
A 31 de dezembro de 2025, a TAP apresentava uma posição de liquidez de 765,3 milhões de euros, um aumento de 113,7 milhões de euros face a 31 de dezembro de 2024.
Luís Rodrigues acredita que o crescimento em 2026 “deverá ser impulsionado sobretudo pela rede transatlântica, com destaque para o Brasil, e pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo novas rotas e o desenvolvimento de um hub de manutenção”.
A TAP diz que acredita na “resiliência da procura” para o próximo ano. E assegura que vê uma “dinâmica positiva das reservas” que deverão suportar uma ocupação mais elevada do avião e a melhoria das receitas unitárias, apesar do aumento da capacidade.
“A evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigada por ajustamentos de preços alinhados com as tendências de mercado, mantendo-se o foco nos principais mercados”, antecipa a empresa.
