O número de incidentes que envolve drones em prisões de Inglaterra e no País de Gales atingiu um novo recorde. O crime expõe graves fragilidades no sistema prisional e na resposta do Governo.
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O Centro Prisional de Manchester é uma prisão de segurança máxima. Aqui cumprem pena homens condenados por crimes violentos. Representam um risco elevado para a sociedade e aqui a fuga seria praticamente impossível. Mas a classificação e a segurança foram postos em causa nos últimos meses. Rob Knight é o responsável pela prisão e fala de um cenário que está a mudar pelo uso de tecnologia cada vez mais sofisticada.
“Temos presos apanhados com facas ao estilo Rambo. Já tivemos uma catana dentro da prisão. Tudo isto está a chegar à prisão por via aérea, por drones.”
Imagens obtidas pela Sky News mostram um drone a tentar entregar um pacote diretamente na janela de uma cela, uma operação que, apesar da intervenção dos guardas, demonstra a precisão alcançada por redes de criminosos.
“Passámos de jovens desorganizados a gangues especializados, que trabalham pelo país inteiro para ultrapassar os nossos sistemas e ganhar muito dinheiro.”
A Polícia da Grande Manchester confirma a facilidade com que estas operações são executadas.
“Lançam o drone com um pacote, voam até à prisão, largam e regressam. É rápido e quase impossível de detetar.”
Entre abril de 2024 e março de 2025, registaram‑se 1.712 incidentes envolvendo drones, o valor mais alto de sempre. A subida de 1.140% em cinco anos reflete falhas graves na resposta governamental. Jenny George é o responsável pela entidade que regula as prisões no Reino Unido e afirma que muitas, simplesmente, não estão preparadas para as mudanças.
“As prisões mais antigas foram construídas sem qualquer consideração por ameaças aéreas. É preciso melhorar a segurança das janelas e outras infraestruturas básicas.”
As principais críticas ao sistema prisional passam pela lentidão na implementação de medidas essenciais e pela subutilização de fundos públicos destinados à segurança. O relatório da entidade reguladora NAO revela que a gestão prisional não utilizou 30 milhões de libras (quase 35 milhões de euros) de financiamento ao combate à droga e 25 milhões de libras (28,5 milhões de euros) destinados à segurança. O motivo? Atrasos prolongados em aprovações ministeriais. Rob Knight admite a frustração.
“Existem atrasos no processo de aquisição. Estamos a introduzir janelas à prova de drones, mas tudo exige testes e licenças.”
A crise dos drones não é apenas logística, tem impacto direto na segurança e no ambiente prisional. Quase 40 mil reclusos têm problemas identificados de dependência. E entre 2022 e 2024, houve 36 mortes relacionadas com drogas nas prisões.
