A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, terá tentado travar a vacinação de todas as crianças contra a Covid-19, avança o Nascer do Sol, esta sexta-feira, 10 de abril.
De acordo com este jornal, quando era bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, em 2021, Ana Paula Martins manifestou-se contra a decisão do Estado português de vacinar todas as crianças contra o novo coronavírus, que matou cerca de 30 mil pessoas, entre 2020 e 2025, só em Portugal.
Num parecer assinado pela então bastonária dos Farmacêuticos, em julho de 2021, a Ordem recomendava que a inoculação em idade pediátrica fosse “reservada à população com fatores de risco para o desenvolvimento de doença Covid-19 grave”, uma posição que se opunha à do Estado que, no mês seguinte, iniciou a administração de vacinas a maiores de 12.
Para Ana Paula Martins, as crianças só deviam ser vacinadas se tivessem o sistema imunitário fragilizado ou patologias debilitantes e, mesmo nesses casos, a decisão devia ser ponderada caso a caso e sujeita a duas condições prévias obrigatórias: “avaliação quanto à real necessidade”, por parte do pediatra ou médico de família e “consentimento informado, livre e esclarecido, assinado pelos tutores legais da criança”.
Diz ainda o Nascer do Sol que o parecer da atual ministra da Saúde foi elaborado a pedido da então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas. No entanto, a DGS acabou por decidir em sentido contrário e alargou a vacinação a maiores de 12 em agosto e e, em dezembro de 2021, a crianças com pelo menos quatro anos.
Recorde-se que, hoje em dia, a recomendação oficial para a inoculação contra a Covid-19 está reservada a crianças com o sistema imunitário debilitado ou portadoras de doenças graves, como cancro maligno ativo, VIH-Sida, insuficiências crónicas, diabetes e trissomia 21.
Apesar desta alteração, a nova diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, garante que “as vacinas são seguras” e que o levou a esta mudança foi o facto de “com base na evidência atualmente disponível, não se observa, como no passado, um custo-benefício que justifique a universalização da vacinação primária ou do reforço sazonal no grupo etário dos seis meses aos 17 anos”.
Recorde-se que o Parlamento aprovou recentemente uma audição à atual e anterior responsável pela DGS, assim como à antiga ministra da Saúde Marta Temido e a Ana Paula Martins, sobre a vacinação da Covid-19.
