Agronegócio

Cientistas descobrem “motor metabólico” que regula o amadurecimento do tomate


Uma equipa de investigação identificou um mecanismo metabólico determinante no processo de amadurecimento do tomate, com potencial impacto no desenvolvimento de novas variedades agrícolas.

O estudo, publicado na revista Plant Physiology, demonstra que uma via mitocondrial específica — conhecida como alternative oxidase (AOX) — desempenha um papel central na transição do fruto de verde para vermelho.

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Os tomates são considerados um modelo de fruto climatérico, caracterizado por um aumento da respiração no início da maturação. Este pico metabólico é essencial para a produção de etileno, hormona que desencadeia o amadurecimento, e para a síntese de pigmentos responsáveis pela cor. No entanto, os mecanismos que suportam este aumento energético não estavam totalmente esclarecidos.

Para analisar a respiração interna do fruto, os investigadores recorreram a uma técnica de alta precisão, tendo os resultados mostrado que a atividade da via AOX aumenta significativamente quando o tomate começa a mudar de cor, tornando-se o principal suporte da respiração do fruto.

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A importância desta via foi confirmada através da desativação do gene AOX1a com recurso à tecnologia CRISPR-Cas9. Os tomates modificados apresentaram um amadurecimento mais lento e alterações metabólicas, incluindo menor acumulação de aminoácidos essenciais.

Além disso, verificou-se uma limitação na produção de compostos ligados à formação de carotenoides, resultando em níveis reduzidos de alguns pigmentos nas fases iniciais.

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Segundo os investigadores, esta descoberta introduz uma nova perspetiva sobre a gestão energética dos frutos. À medida que os açúcares são degradados no início da maturação, os intermediários metabólicos ativam a via AOX, permitindo ao fruto utilizar essa energia para produzir compostos associados ao amadurecimento.

A equipa destaca que a compreensão deste mecanismo pode abrir novas possibilidades para o melhoramento agrícola, nomeadamente através da modulação destas vias respiratórias para desenvolver variedades com maior valor nutricional e qualidade.

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