Os astronautas da Artemis II têm na madrugada deste sábado o momento mais crítico da viagem, sendo que a grande preocupação passa pelo escudo térmico da nave. Caso aterrem com sucesso, terão de esperar duas horas para saírem da cápsula.
Os astronautas Reid Wiseman, comandante da Artemis II (à esquerda), Victor Glover, piloto, Christina Koch, especialista da missão, e o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA) Jeremy Hansen, também especialista da missão (à direita), durante a visita ao foguetão Artemis II SLS e à cápsula Orion, em 30 de março de 2026, em Cape Canaveral, Flórida.
NASA / GETTY IMAGES
A cápsula Orion, onde viaja a tripulação, irá cair no oceano Pacífico, mais precisamente ao largo da cidade de San Diego, na costa Sul do estado da Califórnia.
Depois de estarem dentro da atmosfera da Terra, serão acionados dois paraquedas de travagem, isto quando estiverem a cerca de seis mil metros de altitude.
O momento está previsto acontecer às 17:07 de sexta-feira (hora local), sendo que Portugal quem quiser assistir terá de ficar acordado até à madrugada de sábado, pelas 01:07.
Aquando da queda, os astronautas serão extraídos da cápsula duas horas após a aterragem. Depois uma equipa de resgate transportará a tripulação de avião até o porta-aviões USS John P. Murtha, onde eles passarão por avaliações médicas antes de seguirem para o Centro Espacial Johnson.
As equipas no local vão, de seguida, estabilizar a cápsula, desligar os sistemas, fechar a escotilha e rebocá-la até ao convés do navio. Em seguida, a cápsula é acondicionada num contentor e transportada de camião até ao Kennedy Space Center.
Johnson Space Center – NASA
Escudo térmico da nave gera preocupação
No momento em que entrarem na atmosfera terrestre, está previsto que os navegantes atinjam quase 40 mil quilómetros por hora.
Será uma fase de alto risco, onde o escudo térmico da nave será posto à prova. As preocupações com esta parte da nave têm como base a missão Artemis I, em 2022, quando a cápsula chegou intacta, mas os danos levantaram questões.
Caso o escudo térmico se danifique, poderá levar a uma falha catastrófica. Caso tal aconteça, não existe nenhum mecanismo de fuga para os astronautas, ou seja, se o escudo térmico falhar, a tripulação corre risco de vida.
Mudança de trajetória foi solução encontrada
Os danos foram registados em 2022, mas mantêm-se em 2026, isto porque quando a Artemis I regressou, o escudo térmico já estava instalado na cápsula Artemis II.
Visto que não se conseguiu alterar o escudo térmico, a NASA optou por fazer uma trajetória diferente no regresso a casa, daquela que foi feita na primeira missão.
De acordo com o diretor de voo da NASA, Rick Henfling, a trajetória alterada tem como objetivo “criar condições de aquecimento mais favoráveis”, com o objetivo que isso limite as fissuras no escudo térmico.
Quanto à transmissão deste momento histórico, esta será feita pelo canal oficial da NASA no Youtube.
Esta missão marca um momento histórico, visto que representa o retorno dos humanos ao ambiente lunar mais de 50 anos após o fim do Programa Apollo , em 1972.
Artemis II é a primeira missão tripulada da Orion ao redor da Lua, com o objetivo de preparar o terreno para futuras explorações humanas do espaço e lançar as bases para um retorno sustentável à superfície lunar.
