A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) instaurou uma inspeção ao caso da médica de Benavente que alegadamente passaria declarações para reformas de invalidez a troco de dinheiro.
A informação é avançada pela SIC Notícias, que cita um comunicado da entidade de saúde onde a mesma acrescenta que foram detectados 22 casos, que estão agora em análise, de trabalhadores da Carris que terão recorrido ao alegado esquema de Emuna Mia.
Na mesma nota, referem ainda que vão identificar todos os médicos que estiveram envolvidos nos processos, nomeadamente na elaboração de relatórios e realização de exames, assim como, apurar quais as juntas médicas em que foram aprovados os pedidos para a reforma por invalidez.
A IGAS pretende, com a inspeção, determinar se houve ou não fraude na atribuição das reformas por invalidez, e se os profissionais de saúde estavam envolvidos.
O Notícias ao Minuto já contactou a IGAS para obter esclarecimentos e aguarda resposta.
A inspeção refere-se a um caso que envolve a médica Emuna Mia, que a partir de uma clínica em Santo Estevão, Benavente, alegadamente geria um esquema onde cobraria cerca de mil euros para viabilizar processos de reforma por invalidez, tendo conseguido, numa única empresa pública.
À SIC, que avançou a notícia na quarta-feira à noite, a clínica adiantou que efetivamente identificou “crescimento continuado e aparentemente anómalo nos processos de reforma por invalidez” e que, por isso, apresentou uma queixa-crime junto do Ministério Público (MP).
Desde então, e segundo o jornal regional Notícias do Sorraia, a médica de 72 anos estará desaparecida, não sendo vista desde quinta-feira em Santo Estevão, onde reside, nem se apresentado em nenhum dos locais onde ainda exercia.
O caso levou o bastonário da Ordem dos Médicos a pronunciar-se sobre o assunto, afirmando que os factos revelados “indiciam alegadas práticas gravemente lesivas da ética e da deontologia médica”.
Assim, a Ordem condena a atuação da profissional de saúde que, de acordo com a reportagem, “cobraria pagamentos indevidos e não declarados para facilitar processos de reforma por invalidez”, tal como qualquer “atuação que instrumentalize o ato médico para fins alheios ao interesse dos doentes, ao rigor clínico e ao cumprimento da lei”.
Na mesma nota enviada às redações, a Ordem revela que o Conselho Disciplinar do Conselho Regional do Sul abriu, de imediato, um “processo disciplinar nos termos do Estatuto da Ordem dos Médicos que pretende apurar de forma rigorosa todos factos”.
