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Caso inédito: mulher vence três doenças autoimunes após tratamento revolucionário


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Uma mulher sem alternativas terapêuticas e dependente de transfusões diárias, conseguiu entrar em remissão após um tratamento inovador que “reiniciou” o sistema imunitário, fazendo recuar três doenças autoimunes num caso inédito.

Caso inédito: mulher vence três doenças autoimunes após tratamento revolucionário

Lucy North – PA Images

Uma mulher de 47 anos, que sofria de três doenças autoimunes potencialmente fatais, apresentou uma recuperação considerada “notável” depois de ter feito uma terapia celular inovadora que reprogramou o seu sistema imunitário.

Durante mais de uma década, a paciente viveu com estas doenças e foi submetida a nove tratamentos diferentes, sem sucesso duradouro. O seu estado era tão grave que dependia de transfusões de sangue diárias e de medicação anticoagulante permanente para se manter estável.

No ano passado, iniciou um novo tratamento no Hospital Universitário de Erlangen, na Alemanha. Poucas semanas após a terapia, os médicos verificaram que as três doenças tinham respondido positivamente, num caso inédito a nível mundial.

Desde então, a doente apresentou melhorias significativas e mantém-se em remissão há 14 meses, sem necessidade de tratamento, tendo conseguido retomar uma vida praticamente normal, segundo o The Guardian.

Rapidez e a eficácia da resposta foram “notáveis”

Segundo o professor Fabian Müller, responsável pela equipa médica, a rapidez e a eficácia da resposta foram “notáveis”, destacando que a terapia “melhorou significativamente a sua qualidade de vida”. Ainda assim, sublinhou a necessidade de mais ensaios clínicos para avaliar a duração dos efeitos e a possível aplicação a outras doenças autoimunes.

A paciente sofria de anemia hemolítica autoimune (AIHA), uma doença rara em que o sistema imunitário destrói os glóbulos vermelhos, obrigando a tratamentos frequentes e transfusões. No seu caso, as terapias convencionais já não surtiam efeito, deixando-a sem alternativas viáveis.

“A doente não tinha mais opções terapêuticas e não poderia sair do hospital, pois precisava de transfusões diárias”, explicou o professor.

A terapia começou a atuar rapidamente e, a paciente acabou por receber a sua última transfusão de sangue uma semana depois. Após duas semanas, a paciente já conseguia retomar as suas atividades diárias. O sistema imunitário deixou de atacar os glóbulos vermelhos e as outras doenças autoimunes também melhoraram.

Apesar dos progressos, a doente ainda apresenta uma contagem baixa de glóbulos brancos e níveis ligeiramente elevados de enzimas hepáticas. No entanto, os especialistas acreditam que estes efeitos estão relacionados com tratamentos anteriores e não com a terapia CAR-T.

O reumatologista e investigador Ben Parker, do Manchester University NHS Foundation Trust, considera que atualmente existem vários estudos em curso, incluindo em miopatias, esclerose múltipla, esclerose sistémica e vasculites, e alguns deles já têm resultados preliminares.

No entanto, alerta que “relatos de casos não são suficientes para provar a eficácia de um tratamento em larga escala, daí a necessidade de ensaios clínicos”.



SIC Noticias

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