“O país tem que se organizar e tem que organizar melhor os seus recursos. Eu sei que muita gente beneficiou da ajuda e da solidariedade, até de empresas privadas que puseram à disposição geradores, de outras câmaras municipais que puseram à disposição geradores, mas isso foi uma situação de reação”, sublinhou.
No final de uma reunião com autarcas, que decorreu ao final da tarde na Marinha Grande, na última iniciativa da Presidência Aberta, António José Seguro considerou que o país não pode continuar a viver do improviso, informalidade, apelos e solidariedade.
“Somos muito bons porque temos um coração enorme, mas nós precisamos de ter procedimentos muito claros, muito precisos, sobre quem faz o quê em determinadas situações”, sustentou.
Aos jornalistas, apontou a necessidade de se olhar para a realidade, acelerar apoios e, sobretudo, “tirar lições para o futuro”.
“Lições para o futuro que têm que se traduzir numa melhor capacidade de organizar e de planear os recursos da proteção civil, as cadeias de abastecimento, definir redundâncias com maior clareza para responder melhor a situações desta natureza”, sustentou.
O chefe de Estado deu como exemplo a questão dos geradores, especialmente em unidades e infraestruturas críticas que não podem ficar sem energia elétrica.
“Sobretudo unidades de saúde e de apoio a pessoas mais vulneráveis, como os lares de idosos, que precisam de redundância no caso de haver uma interrupção do fornecimento de energia elétrica”, acrescentou.
António José Seguro deu ainda como exemplo a questão das comunicações.
“Perante esta devastação e este fenómeno terrível que afetou a Região Centro, nós precisamos de saber, cada pessoa, cada cidadão, como é que deve receber informação, que notícias é que deve ter, porque as pessoas ficaram sem telecomunicações”, alertou.
No seu entender, isso resolve-se com pedagogia, “para que cada um possa ter em casa um rádio a pilhas com uma frequência sintonizada numa rádio local ou noutro tipo de frequência onde possa recolher informações para saber o que se está a passar e para onde se deve dirigir”.
“O mesmo acontece com as cadeias alimentares e com cadeias de fornecimento de medicamentos. Portanto, há aqui uma tarefa muito grande a fazer e há talento, há capacidade para nós organizarmos o Estado desta forma: a exigência do Presidente da República é que se faça isso”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas sobre possíveis mudanças na hierarquia da proteção civil, Seguro disse que “essa é uma matéria da competência do Governo”.
“Cabe ao Governo fazer essa avaliação”, alegou, realçando ainda que o que é importante “é que possa haver uma boa articulação entre todas as estruturas públicas”.
[Notícia atualizada às 21h35]
Leia Também: Seguro aponta falta de relatório do Governo sobre comboio de tempestades
