Nascida a 21 de março de 1942, em Campo de Ourique, Lisboa, Maria Emília Brederode dos Santos dedicou a sua vida à educação e é hoje lembrada pelo presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Domingos Fernandes como” alguém com uma formação profundamente humanista muito tolerante perante a diversidade de ideias”.
“De uma grande leveza na abordagem das questões mesmo quando eram questões complexas”, a especialista em educação, que presidiu ao Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022, deixa um percurso marcado “por uma grande leveza”, ao longo do qual “se preocupou genuinamente pela melhoria da educação em Portugal, e muito particularmente no Portugal democrático e no Portugal livre”.
Licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston, efetuou ao longo da vida um percurso que “não pode ser ignorado por aqueles que acompanharam e acompanham os desenvolvimentos da educação no país”.
Entre os vários cargos que exerceu, na área da educação, destaca-se a sua missão na Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e, entre 1997 e 2002, na presidência do Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação.
De acordo com o seu curriculo publicado pela Assembleia da República, ao longo da sua vida como pedagoga esteve ligada a vários projetos, tendo sido diretora pedagógica das quatro séries do programa televisivo Rua Sésamo, emitido na RTP; coordenou a publicação da “Constituição da República Portuguesa Trocada por/para Miúdos”(Ed. Assembleia da República), foi co-autora do Manual de Educação para os Direitos Humanos Compasito e autora do livro Aprender com a TV.
Enquanto assessora do diretor de programas da RTP 2 e do departamento de programas infantis e juvenis da RTP concebeu, produziu e foi responsável ou co-autora de vários programas televisivos educativos como o Jardim da Celeste, Alhos e Bugalhos ou Poemas Pintados.
Antes, no Ministério da Educação tinha sido co-autora e responsável pelos programas televisivo e radiofónico “Falar Educação” e “Cá fora também se Aprende”.
Em 2016, co-produziu um projeto de formação e um manual de Educação para os Media para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Presidiu à Associação Portuguesa de Intervenção Artística e de Educação pela Arte 2006 a 2008, à Comissão de Avaliação da Escola Superior de Educação pela Arte e ao Grupo interministerial para o Ensino Artístico.
Condecorada com a Ordem da Instrução Pública (grau de Grande Oficial, 2004), recebeu o Prémio da Boston University’s General Alumni Association em 1994; o Prémio Rui Grácio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação em 1992 e o Prémio Jean Louis Claparéde da Universidade de Genebra, em 1972.
Irmã do advogado e jornalista Nuno Brederode Santos, Maria Emília Brederode Santos foi casada com José Medeiros Ferreira (1942-2014).
Maria Emília Brederode dos Santos distinguiu-se também como opositora da ditadura, ação destacada pelo Presidente da República, António José Seguro, que na sua mensagem de condolências à família a recordou como “uma mulher do 25 de Abril”, comprometida “com a liberdade e com a ideia de que a educação é sempre um ato político”.
