A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, criticou um jornalista da Agência Lusa, acusando-o de uma “falha deontológica grave” devido à publicação de uma notícia relacionada com a Casa do Cinema de Coimbra.
A notícia em causa, da autoria do jornalista João Gaspar, foi publicada na passada quinta-feira, 9 de abril, e intitulava-se “Casa do Cinema de Coimbra em risco por falta de obras da Câmara“.
Na notícia, o jornalista garantiu que a “agência Lusa questionou o executivo, liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), mas não obteve qualquer resposta”.
Na sexta-feira, durante a Reunião da Câmara Municipal, o atual vereador e antigo autarca, José Manuel Silva, aproveitou para frisar que a falta de resposta representava “uma enorme falta de transparência”.
Em resposta, revelou o Diário de Coimbra, Ana Abrunhosa acusou o jornalista João Gaspar de falta à verdade, considerando estar em causa “uma falha deontológica grave”.
“Considero que é uma falha deontológica grave. Todos nós, políticos, somos escrutinados e parece que a comunicação social não pode ser escrutinada”, frisou, acusando o jornalista de “não procurar esclarecimentos e deturpar factos”.
A autarca pediu, depois, à Chefe de Gabinete de Comunicação e Marketing da Câmara Municipal de Coimbra, Filipa Gaioso Ribeiro, para esclarecer o que tinha acontecido.
A responsável confirmou que tinha recebido o pedido de esclarecimentos de João Gaspar e que, na quinta-feira, tinha respondido que iriam responder em breve, uma vez que já estava marcada uma reunião com a vereadora da Cultura. No entanto, a notícia foi publicada antes.
Ana Abrunhosa acusou o jornalista de “não procurar esclarecimentos e deturpar factos”.
“Dizemos aqui publicamente a falta de confiança que temos doravante neste jornalista que não reporta a verdade, invieza os nossos comentários”, atirou.
“Se o jornalista quer fazer política deve entregar a carteira de jornalista”, acrescentou, frisando que não é a primeira vez que ocorre um incidente semelhante com o mesmo jornalista.
Pode ver as declarações de Ana Abrunhosa a partir do minuto 51 do vídeo abaixo:
Após as acusações, o jornalista da Lusa, bem como uma jornalista do Diário de Coimbra e outra do Diário As Beiras, abandonaram a reunião.
Citado pelo Diário de Notícias, João Gaspar explicou que enviou as “perguntas a pedir esclarecimentos sobre o caso a 1 de abril”, mas não obteve “qualquer resposta”.
“Na quinta-feira de manhã, num evento do município, conversei com a diretora do Gabinete de Comunicação, Filipa Gaioso Ribeiro, e questionei-a se haveria resposta da autarquia”, referiu. “A responsável apenas disse que iria falar com a adjunta da presidente da Câmara com a pasta da comunicação. Sem qualquer indicação de que haveria resposta e face a mais de uma semana à espera, decidi avançar com a notícia”.
O jornalista garantiu que preza o “rigor e seriedade” e acusou a autarquia de atacar o seu trabalho.
“Este é um ataque lamentável ao meu trabalho como jornalista e ao próprio jornalismo”, atirou.
O que dizia a notícia que levou à polémica?
A notícia em causa referia que a Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado.
“Quando mudou o executivo, perguntei sobre as obras na Casa do Cinema e a vereadora disse que não haverá dinheiro para obras. Ora, não havendo obras, nem projeto, e se se continuarem a detetar anomalias, há uma probabilidade muito grande de ser perder a DIR [licença que permite a exibição de cinema]”, disse à agência Lusa o coordenador do espaço, Tiago Santos.
O responsável notou que em setembro, quando será feita nova inspeção para renovação da licença, a Casa do Cinema “pode acabar”, se se mantiverem as anomalias identificadas numa vistoria da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) feita aquando da emissão da licença, em 2021.
“Não há, da parte do executivo, vontade em submeter o projeto e isso pode comprometer os nossos postos de trabalho e a perda de licença para explorar a sala. Sem poder gerar receita, não há capacidade para manter as oito pessoas [que trabalham no projeto]”, alertou Tiago Santos.
Com o risco de perder a licença, o coordenador explicou que a Casa do Cinema de Coimbra, que começou há cinco anos, fica em risco de acabar.
