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Nova estratégia para “limpar” o cérebro mostra potencial contra doença de Alzheimer


Saúde e Bem-estar

Uma nova abordagem para tratar a doença de Alzheimer, centrada no reforço do sistema de eliminação de resíduos do cérebro, mostrou resultados promissores em modelos animais. A estratégia, que atua sobre um recetor chamado DDR2, reduziu proteínas tóxicas e melhorou a memória em ratinhos, embora especialistas alertem que ainda há incertezas quanto à aplicação em humanos.

Esta ilustração retrata células de um cérebro afetado pela doença de Alzheimer, com níveis anormais da proteína beta-amiloide a aglomerar-se para formar placas, de cor castanha, que se acumulam entre os neurónios e interrompem a função celular.

Esta ilustração retrata células de um cérebro afetado pela doença de Alzheimer, com níveis anormais da proteína beta-amiloide a aglomerar-se para formar placas, de cor castanha, que se acumulam entre os neurónios e interrompem a função celular.

National Institute on Aging/National Institutes of Health / AP

Melhorar o sistema de eliminação de resíduos do cérebro tem vindo a ganhar destaque como estratégia para combater a doença de Alzheimer. Um estudo recente indica que uma nova via terapêutica pode atenuar alterações cerebrais e sintomas associados.

A técnica permitiu remover aglomerados tóxicos de proteínas em ratinhos, levando a melhorias no desempenho em testes de memória e aprendizagem.

Pensa-se que a acumulação de proteínas malformadas, como placas beta-amiloides e emaranhados tau, esteja na origem da doença. No entanto, apesar de alguns medicamentos conseguirem reduzir estas placas, os benefícios clínicos têm sido limitados.

Perante isso, os investigadores procuram alternativas, como reforçar os mecanismos naturais de “limpeza” do cérebro.

DDR2: um novo alvo

“Se bloquearmos a via DDR2, poderá haver menos produção de beta-amiloide e, ao mesmo tempo, maior eliminação destes resíduos”, afirma a investigadora, citada pela New Scientist.

O DDR2 tem sido estudado no contexto da fibrose pulmonar, uma doença em que a matriz extracelular se torna disfuncional, levando à acumulação excessiva de colagénio e à redução do fornecimento de oxigénio às células.

“Este bloqueio de oxigénio pode estar associado a problemas de memória e raciocínio”, diz Li.

No entanto, não está totalmente comprovada esta hipótese.

Análises tecido cerebral

Ao analisar bases de dados e amostras cerebrais, a equipa verificou que o DDR2 é raro em tecido saudável, mas aparece em grandes quantidades no cérebro de pessoas com Alzheimer.

“Confirmámos níveis elevados de DDR2 em tecido cerebral de doentes”, afirma o investigador Jin Su, membro da equipa.

Os cientistas identificaram três tipos de células com aumento de DDR2 durante a doença:

Anticorpo para bloquear o DDR2

Os investigadores desenvolveram um anticorpo monoclonal para bloquear o DDR2 que experimentaram em ratinhos com Alzheimer, e observaram:

  • melhoria da memória e aprendizagem
  • redução de placas amiloides
  • reforço do sistema glinfático

Cautela da comunidade científica

Especialistas independentes consideram os resultados encorajadores, mas alertam para limitações.

Em declarações à New Scientist, Shiju Gu, da Universidade de Harvard, destaca que a doença é complexa e “colocaria aqui uma grande interrogação em termos de reversão do Alzheimer”.

Ensaios clínicos em humanos

Os investigadores estão a desenvolver um ensaio clínico para monitorizar níveis de DDR2 no cérebro de pessoas com Alzheimer, de forma a determinar para onde direcionar o anticorpo.

Além disso, estão a desenvolver versões mais pequenas do anticorpo, capazes de atravessar melhor a barreira hematoencefálica.

Uma doença complexa e em crescimento

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência a nível mundial. Segundo dados frequentemente citados por organizações internacionais de saúde, afeta atualmente mais de 55 milhões de pessoas e poderá atingir 138 milhões até 2050, à medida que a população envelhece.

Trata-se de uma doença multifatorial, cuja origem envolve vários mecanismos biológicos. Essa complexidade ajuda a explicar porque continuam a ser procuradas novas abordagens terapêuticas, incluindo a reutilização de medicamentos já existentes para outras patologias.



SIC Noticias

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