Um fóssil com 300 milhões de anos, considerado durante décadas o polvo mais antigo, foi reclassificado após novas análises. A descoberta indica que os polvos surgiram muito mais tarde, durante o período Jurássico.
Polvo considerado o mais antigo afinal não pertence à espécie
Thomas Clements/Universidade de Reading
Um fóssil conhecido como Pohlsepia mazonensis, durante anos considerado como o polvo mais antigo do mundo, foi reavaliado com recurso a técnicas modernas de imagens. A nova análise revela que pertence a um parente do náutilo, um molusco com concha externa que ainda existe atualmente.
O exemplar ganhou notoriedade após ter sido incluído no Guinness World Records. Os cientistas acreditavam que o fóssil apresentava oito braços, barbatanas e outras características típicas de um polvo. No entanto, algumas dúvidas persistiram ao longo dos anos, mas não havia uma forma clara de as testar até à pouco tempo.
Os cientistas utilizaram uma técnica de imagem específica que permitem observar o interior da rocha com grande detalhe e reconstruir estruturas em três dimensões. Foi assim possível identificar uma rádula, estrutura com pequenas fileiras de dentes, cuja forma não corresponde à dos polvos, mas sim à dos náutilos.
Os investigadores concluem que o animal que deu origem a este fóssil terá estado em processo de decomposição durante semanas antes de ficar preservado. Essa alteração contribuiu para uma aparência enganadora, o que levou à classificação inicial.
“Descobriu-se que o fóssil de polvo mais famoso do mundo nunca foi um polvo. Era um parente do náutilo que já estava em decomposição há semanas antes de ser enterrado e posteriormente preservado na rocha, e foi essa decomposição que o fez parecer tão convincente como um polvo”, disse o Dr. Thomas Clements, autor principal do estudo e docente de Zoologia de invertebrados na Universidade de Reading, publicado no BBC News
Durante anos, este fóssil apoiou a ideia de que os polvos teriam surgido muito mais cedo. Com esta revelação, considera-se que a origem destes animais poderá ter ocorrido muito mais tarde, no período Jurássico.
O estudo identifica ainda o que poderá ser o registo mais antigo de tecidos moles preservados em náutilos, o que contribuiu para uma nova compreensão da evolução destes animais marinhos.
