Para a Intercultura–AFS, a perda de Maria Emília Brederode dos Santos – que morreu no sábado, aos 84 anos, vítima de doença prolongada – “tem um significado particular”, divulgou a associação num comunicado em que dá nota de que a pedagoga, “integrou, muito jovem, o programa AFS, estudando um ano numa escola secundária nos Estados Unidos da América, numa altura em que a mobilidade internacional era ainda uma experiência rara em Portugal”.
Na ótica da associação, esta experiência, ” reflete desde cedo uma postura de abertura ao mundo e de valorização do diálogo intercultural, princípios que viriam a marcar o seu percurso pessoal e profissional”
Na nota em que manifesta “profundo pesar” pelo falecimento da pedagoga, a AFS destaca o seu percurso como “mulher pioneira e o seu contributo para a sociedade”, considerando que marcou várias gerações com “uma visão exigente, humanista e aberta da educação, num percurso também associado aos valores de liberdade e cidadania afirmados após o 25 de Abril”.
No texto a AFS Portugal sublinha o legado de Maria Emília Brederode dos Santos “enquanto exemplo do impacto duradouro das experiências de intercâmbio na formação de cidadãos ativos e comprometidos com a sociedade”.
Nascida em Campo de Ourique, Lisboa, em 1942, Emília Brederode dos Santos era licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston.
Ao longo da sua carreira, integrou o Conselho de Opinião da RTP, a Comissão de Honra do Plano Nacional de Leitura e presidiu ao Centro Nacional de Educação.
Foi ainda presidente do Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação, e coordenadora e coautora da proposta de currículo de Educação para a Cidadania para a Educação Básica e Secundária, entre 2010 e 2011.
A Intercultura–AFS Portugal é uma associação juvenil e de voluntariado que promove programas de intercâmbio internacional para jovens dos 15 aos 18 anos.
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