A SIC documenta a jornada de várias famílias ucranianas que viajaram para Portugal após perderem entes queridos na guerra. Entre as histórias destacam-se Yuliia, agora viúva com dois filhos, e Volodya, uma criança gravemente ferida num ataque russo.
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A SIC acompanhou a resistência de 15 famílias ucranianas de uma região próxima da fronteira russa sempre sob fogo cerrado. As mulheres ficaram viúvas, as crianças perderam o pai, mas viajaram para Portugal a convite de uma associação portuguesa. “Um intervalo de Paz” é a Reportagem Especial deste sábado.
Agora viuva, Yuliia vive sozinha com os dois filhos, na região de Chernihiv, sempre debaixo de fogo, apenas a 20 quilómetros do território russo.
Na Ucrânia, deixou de haver tempo para ser criança e, para os proteger da guerra, Yullia fez as malas e está a caminho de Portugal.
Parece apreensiva antes da viagem para um país do qual nada conhece, mas diz que só quer os dois filhos em segurança, seja onde for.
Nesta viagem para Portugal, Yuliia e os dois filhos vêm acompanhados de outras 30 vítimas da guerra da mesma região de Chernihiv.
Muitas crianças ficaram feridas ou orfãs
Segundo a UNICEF, pelo menos 3.100 crianças morreram ou ficaram feridas desde o início do conflito
Volodya foi uma das vítimas graves de um devastador ataque das forças russas a sul do território.
Apresentava fraturas e vários ferimentos das explosões. Há três anos e meio que o estado de saúde de Volodya não regista qualquer evolução. Os médicos não desistem e o menino também não.
A mãe de Volodya sobreviveu com lesões graves e nunca mais poderá tomar conta do filho.
Tal como centenas de outras crianças cujos pais morreram na guerra, o menino aguarda na chamada “Cidade da Bondade”, em Chernivtsi, junto à fronteira com a Roménia, a improvável chegada de uma nova família que o aceite adotar.
São mais de 200 os menores órfãos que vivem neste refúgio, numa altura em que o número de adoções na Ucrânia é ínfimo.
Desde o início do conflito, a burocracia é ainda mais complexa.
Crianças com doenças crónicas e deficiências graves estão entre as vítimas mais negligenciadas da guerra.
